Modalidade que é fonte de medalhas para o Brasil em Jogos Olímpicos de forma ininterrupta desde Los Angeles-1984, o judô inicia suas disputas na Tóquio-2020 nesta sexta-feira (23) em um palco mítico: a arena Nippon Budokan, considerada a casa do judô. O favoritismo do Japão é inegável, mas será que o país consegue ganhar todos os ouros da disputa, a meta dos sonhos estipulada? A tarefa não será simples para os anfitriões que vão entrar em ação a partir das 23h (de Brasília) nesse local histórico.
O Japão espera fazer história na modalidade nesta edição das Olimpíadas em casa, mas sabe que todos os outros países estarão no tatame para atrapalhar esse sonho. Como referência, vale ressaltar que o judô é o único esporte em que os nipônicos lideram o quadro histórico de medalhas olímpicas. São 82 pódios, com 37 medalhas de ouro.
Em Tóquio, são 15 chances de medalhas de ouro, uma a mais que nos Jogos do Rio, em 2016, por causa da inclusão da disputa de equipe mista. Mas no Brasil o Japão subiu ao pódio 12 vezes, sendo três medalhas de ouro, uma de prata e oito de bronze. "Acredito que o Japão deva manter a hegemonia no campeonato olímpico", afirma o brasileiro Ney Wilson, diretor de alta performance da Confederação Brasileira de Judô (CBJ).
Ele lembra que a equipe do Japão, ainda mais por estar lutando em casa e considerando o nível dos atletas, não terá problema de adaptação ao fuso e deve mostrar sua força. "Mas acredito que não será a hegemonia que eles esperam. No Mundial de Judô, o resultado foi aquém do que eles esperavam", comentou. "A gente consegue ver o quanto está diluído o quadro de medalhas e o quanto faz diferença uma medalha de ouro em relação às outras."
Yuko Fujii, japonesa técnica da Seleção Brasileira masculina de judô, conhece bem os possível adversários dos atletas nacionais. E ela sabe que a pressão por um grande resultado em casa pode atrapalhar um pouco os orientais. "Fazer Olimpíada em casa sempre dá uma certa vantagem, mas ao mesmo tempo tem uma certa pressão. Não existe vitória fácil no judô, ainda mais na Olimpíada, então só na hora vamos saber", avisa.
Nas primeiras disputas do judô vão representar o País no tatame Gabriela Chibana (até 48 kg) e Eric Takabatake (até 60 kg). Nesta edição, as melhores chances do Brasil estão nas categorias mais pesadas, com Mayra Aguiar, Maria Suelen Altheman e Rafael Silva, além da equipe mista.