07 de julho de 2026
Esportes

Inclusão e igualdade


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Apesar do já esperado esvaziamento do evento por causa da pandemia, o Japão e o COI (Comitê Olímpico Internacional) usaram a cerimônia de abertura dos Jogos de Tóquio, nesta sexta-feira (23), para enviar uma forte mensagem ao mundo de luta por igualdade, inclusão e respeito às diversidades. Foram vários os recados que a cerimônia passou nesse sentido, mesmo que o próprio Japão tenha uma série de problemas relacionados a esses assuntos.

País que atualmente ocupa a posição 120 de um ranking com 156 nações sobre igualdade de gênero feito pelo Fórum Econômico Mundial, o Japão se tornou nesta sexta-feira palco das primeiras Olimpíadas nas quais mulheres e homens puderam carregar juntos a bandeira nacional no desfile de abertura. O Juramento Olímpico também foi atualizado para os Jogos de Tóquio e, pela primeira vez na história, os jurados se reuniram em defesa da inclusão, da igualdade e da não discriminação.

Em mais um esforço para promover a igualdade de gênero, três duplas masculinas e femininas fizeram o juramento em um vazio Estádio Olímpico, sem torcedores nas arquibancadas após veto dos organizadores ao público por causa do aumento de casos de Covid-19 no Japão nos últimos meses.

"Depois de mais de meio século, os Jogos Olímpicos voltaram a Tóquio. Agora faremos tudo ao nosso alcance para tornar esses Jogos uma fonte de orgulho para as gerações futuras", discursou a presidente do Comitê Organizador, Hashimoto Seiko, em referência à edição de 1964.

Thomas Bach, presidente do COI, usou o seu discurso para dizer que as Olimpíadas podem unir o mundo. "É um momento de esperança. Sim, é muito diferente do que todos nós tínhamos imaginado. Mas vamos valorizar este momento porque finalmente estamos todos aqui juntos. Este é o poder unificador do esporte. Esta é a mensagem de solidariedade, a mensagem de paz e a mensagem de resiliência."

Pode-se dizer que o evento não teve luxo nem muitos recursos tecnológicos, mas foi bastante emocionante. Ao som de músicas de jogos de videogame, a Grécia abriu o desfile das delegações por ser fundadora dos Jogos na antiguidade e a ordem de entrada dos países seguiu de acordo com o alfabeto japonês. Assim, o Brasil foi a 151ª delegação a entrar no Estádio Olímpico de um total de 206 países. As placas com os nomes das nações copiavam balões de fala de quadrinhos de mangá.

Para evitar riscos de contaminação, o Time Brasil participou da cerimônia representado pelo número mínimo exigido de atletas e oficiais: os porta-bandeiras Bruninho (vôlei) e Ketleyn Quadros (judô), além do chefe de missão Marco La Porta e da representante dos colaboradores do COB (Comitê Olímpico do Brasil) Joyce Ardies. Os dois atletas ainda aproveitaram para sambar na passarela do desfile.

Antes de o imperador do Japão, Naruhito, declarar os Jogos oficialmente abertos, a questão da sustentabilidade também esteve representada na cerimônia. A pira olímpica, simbolizada pelo Sol em cima do Monte Fuji, foi acesa pela tenista Naomi Osaka e, pela primeira vez, será abastecida por hidrogênio para reduzir a emissão de poluentes.