08 de julho de 2026
Internacional

Moïse é sepultado em meio a protestos

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Porto Príncipe - Em meio a um clima de instabilidade e a várias perguntas sem respostas sobre o assassinato de Jovenel Moïse, o caixão com o corpo do presidente do Haiti foi carregado por uma comitiva de homens em trajes militares em Cap-Haitien, onde ele foi enterrado nesta sexta-feira (23), mais de duas semanas após sua morte. Coberto pela bandeira haitiana, o caixão também recebeu coroas de flores brancas - a cor do luto no país - e a bênção de um padre católico, em uma cerimônia que, de certa forma, simboliza a expectativa de que o país possa se recuperar das feridas históricas.

A relativa calma durante o início do funeral do presidente, no entanto, foi rompida horas mais tarde quando, segundo testemunhas ouvidas pela Reuters, surgiram relatos de disparos de tiros e de bombas de gás entre a multidão do lado de fora do local da cerimônia.

De acordo com a agência, a delegação dos EUA e outros dignitários estrangeiros foram levados às pressas para veículos em áreas protegidas. Não houve relatos imediatos de feridos nem qualquer indicação de que os convidados estivessem em perigo.

Cap-Haitien tornou-se palco de um cenário de convulsão social nos últimos dois dias. Centenas de pessoas participaram de uma marcha organizada pelo governo local nesta quinta-feira (22), durante a qual os participantes misturavam os pedidos de justiça a elogios a Moïse, tratado quase como um messias.

"Explodiram o olho dele porque ele queria nos iluminar. Quebraram o braço dele porque ele queria nos ajudar. Ele foi assassinado porque lutava pelo povo", disse uma manifestante ao jornal haitiano Le Nouvelliste.

A marcha foi pacífica, mas ao final do percurso, alguns grupos mancharam o céu com a fumaça preta de pneus em chamas na tentativa de bloquear estradas e impedir a entrada de pessoas de outras localidades que queriam acompanhar o funeral.

A mensagem das ruas evidencia um nível de divisão ainda muito agudo no país e contraria o objetivo pelo qual o novo governo do Haiti disse trabalhar. Ao assumir o poder na última terça-feira (20), o primeiro-ministro Ariel Henry disse ser um "democrata e um homem de diálogo" e prometeu agir pelo apaziguamento político no país. ?

Autoridades haitianas que chegavam ao local não foram muito bem recebidas pela população do lado de fora. O chefe da polícia haitiana, Leon Charles, foi chamado de criminoso e censurado por, segundo seus críticos, não ter sido capaz de proteger Moïse e sua família, morto em casa na madrugada do último dia 7. Até agora, não há conclusão sobre quem foi o mandante do assassinato nem a razão do crime.