10 de julho de 2026
Política

Com boletins médicos superficiais e ilegíveis, vereador pede padronização

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Desespero. Essa é a palavra utilizada pela gerente de vendas Anuska Álvares de Camargo Barbera, de 37 anos, para definir a sensação da família quando recebia alguns boletins médicos sobre o estado clínico da sua avó materna, a pensionista Terezinha Gonzaga Álvares, de 88, que estava internada no "mini hospital", em Bauru, com Covid-19 desde a segunda quinzena de junho último, mas acabou falecendo no final do mesmo mês. Muitas vezes, segundo a profissional, os documentos chegavam ilegíveis ou com poucas informações. Ao tomar conhecimento do assunto, o vereador José Roberto Martins Segalla pediu à Prefeitura de Bauru que padronizasse os boletins médicos de todos os pacientes que não podem receber visitas.

Ainda de acordo com o parlamentar, apesar de a emissão diária desse tipo de documento ser admirável, como ele próprio define, alguns boletins não cumprem o objetivo de tranquilizar os familiares dos pacientes que não podem receber visitas. "Eu soube do assunto depois que um ente querido de uma pessoa internada no 'mini hospital' levou tanto documentos com poucas informações quanto boletins ilegíveis ao meu gabinete", narra.

Diante disso, Segalla decidiu enviar um apelo à prefeita Suéllen Rosim. No documento, protocolado há cerca de duas semanas, o vereador pediu "a adoção de uma padronização, de forma eletrônica, no preenchimento dos boletins médicos encaminhados aos familiares das unidades de saúde do município de Bauru".

DRAMA

A gerente de vendas Anuska Álvares de Camargo Barbera relata que a sua avó materna deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Geisel em 13 de junho deste ano. Três dias depois, a idosa foi transferida para o "mini hospital", denominação dada à junção do Pronto-Socorro Central (PSC) com o Posto de Atendimento da Covid-19 (PAC) Posto Avançado Covid (PAC).

Ao longo de dez dias, os familiares recebiam as informações sobre a paciente por e-mail. "Teve um boletim que dizia apenas que o seu estado era grave e nós não sabíamos o quanto ela usava de oxigênio ou o quão comprometidos estavam os pulmões", relata.

Outros informativos, segundo Barbera, eram ilegíveis. "Nós até enviamos um e-mail para a assistente social do 'mini hospital' pedindo um novo boletim, mas não obtivemos qualquer retorno", acrescenta. Em 26 de junho último, a avó da gerente de vendas foi transferida para o Hospital das Clínicas (HC) e, três dias depois, ela faleceu.

OUTRO LADO

Em nota, Secretaria Municipal da Saúde, por meio da assessoria de imprensa da prefeitura, informa que "a pasta já solicitou ao pessoal da Tecnologia da Informática (TI) a padronização desse serviço".