08 de julho de 2026
Articulistas

Segura que a conta é nossa!

Maria América Ferreira
| Tempo de leitura: 2 min

Indignação. Esse é o sentimento da grande maioria da população quando o assunto é a aprovação pelo Congresso do tal Fundo Eleitoral, o chamado Fundão. Primeiro que esse assunto nem deveria fazer parte da votação da LDO - Lei de Diretrizes Orçamentárias.

É simplesmente absurdo constar do orçamento dinheiro destinado a campanhas políticas, principalmente um valor próximo a seis bilhões de reais. Segundo, mais uma vez a tal verba vai sair do bolso do povo.

Em um País que tem como salário mínimo algo em torno de 1.100 reais, é aviltante que políticos joguem dinheiro pelo ralo para se eleger. E tem mais, em meio a uma pandemia com milhões de desempregados, a fome se alastrando, aumentando o número de pessoas pobres, deveria ser considerado crime esse roubo descarado. Aliás, esses senhores políticos de carreira, deveriam sair de suas bolhas e passar só um pouquinho do perrengue que passam seus eleitores. Certamente não sobreviveriam.

É aí que entra a utopia. Já imaginaram uma eleição em que nenhum candidato fosse eleito? Seria interessante ver a 'cara' das excelências se o povo dissesse não à bandalheira. Infelizmente, isso não vai acontecer. Isso é radicalismo? Tem político que merece ser eleito? Não, não tem. Existem homens que são candidatos, e até podem ter boas intenções, mas, quando eleitos, já era. São todos farinha do mesmo saco. O corporativismo entra em ação e o poder corrompe. Aliás, para os sínicos, a sensação de se sentir poderoso e rir do povo que os colocou no poder, deve ser a melhor do mundo.

Mas voltando para o mundo real, o que se vê, é a miséria só aumentando e a distância entre o político de carreira e a população, é cada vez maior. Sim, as pessoas fazem política o tempo todo. No entanto, carreira política é só para os mais 'espertos'. Não dá para entender como o sujeito dorme sabendo o que acontece do lado de fora da bolha em que vive. O provável é fingir que não sabe. E segue a vida com salários que extrapolam as raias da decência.

A expectativa de acabar com essa bandalheira de dinheiro para campanhas, está por conta do veto do presidente da República a esse absurdo chamado Fundão. E quer saber? Não se trata de fazer favor ou ser bonzinho, é só obrigação do presidente vetar essa canalhice.

Resta saber se o veto vale!

O autor é jornalista, colabora com Opinião.