08 de julho de 2026
Internacional

Sem ministros, Castillo toma posse


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Lima - O presidente Pedro Castillo tomou posse no Peru na tarde desta quarta-feira (28), em Lima, sem anunciar quem serão seus ministros. Após vários dias de expectativa, o mandatário decidiu que a cerimônia se resumiria a seu juramento, a recepção dos chefes de Estado estrangeiros e a comemoração dos 200 anos da independência do Peru.

O primeiro-ministro, cujo nome ainda não é conhecido, prestará juramento apenas na quinta (29), numa cerimônia na cidade histórica de Ayacucho. Os ministros só o farão na sexta- (30). O Peru adota um sistema presidencialista com elementos do parlamentarismo. Nesse caso, o primeiro-ministro tem o papel de chefe de gabinete.

A demora da proclamação ministerial se deve a divisões internas dentro do partido governista, Perú Libre. Há uma divisão entre os que querem um ministério com forte presença da agrupação de esquerda e os que se inclinam a um gabinete moderado e com representantes de distintas forças políticas.

Castillo sinalizou que esta segunda opção lhe agrada mais, e que também deseja buscar nomes técnicos para algumas pastas. O presidente de seu partido, Vladimir Cerrón, porém, mantém controle de várias decisões internas e tem uma postura ideológica mais radical, próxima ao chavismo. Cerrón estaria pressionando Castillo para um ministério mais ideológico.

Castillo começou seu discurso fazendo agradecimento aos povos originários e afroperuanos, afirmou que é "um orgulho e uma honra" ter ganho democraticamente a eleição.

Afirmou que os 200 anos da independência são uma data importante, mas que "a história do Peru vem de muito mais atrás" e que "é uma sequência de dor de vários povos ancestrais e silenciados". Disse que o seu será um "governo do povo para governar para o povo", e que "pela primeira vez o país será governado por um camponês".

Entre seus desafios, o primeiro a que fez referência é a pandemia do coronavírus. "Honraremos a memória dos que morreram e daremos continuidade à vacinação de toda a nossa população no menor tempo possível", afirmou.

Afirmou que, na economia, irá respeitar a propriedade privada, mas que o modelo econômico precisa ser repensado. Disse, ainda, que haverá maior ênfase na luta contra a corrupção. "Vemos que há vários ex-presidentes presos ou investigados, mas não vejo nenhum empresário. É preciso investigar a corrupção em todos os seus níveis".Afirmou, ainda, que haverá uma nova Constituição, redigida por uma Assembleia Constituinte eleita pela população, e que terá paridade de gênero.