04 de abril de 2026
Tribuna do Leitor

Morreu Lázaro Carneiro, meu poeta de cabeceira

Arthur Monteiro Junior - advogado e jornalista
| Tempo de leitura: 1 min

"Quando não mais puder viver / E o engenho do meu corpo estacionar, / Tudo será como haverá de ser, / Pois nada mais poderei mudar."(L.C.). Morreu Lázaro Carneiro, o 'caipira que leu Nietzsche', na sua própria definição e título de um de seus livros.

Eu disse que ele morreu?

Não, Lázaro, meu poeta de cabeceira, não morreu! Como diria Guimarães Rosa, ficou encantado, iluminando nossas vidas pela eternidade.

De qualquer maneira, a ausência física do poeta e amigo nos deixa um pouco mais órfãos e o mundo muito mais sem graça. Por que será que somente as pessoas que semeiam a beleza e acreditam num mundo justo estão partindo? Será a libertação redentora deste planeta, condenado à destruição e em completo desmanche?

Não sei a resposta, talvez jamais saberei, mas a dor calada no peito e nas lágrimas que inevitavelmente me vem dão a certeza de que sua poesia e a conversa saborosa e sem pressa, sempre regada com um café, que ele nos proporcionava, vai nos fazer muita falta. E justo agora, prestes a lançar um grande livro que comemoraria seus 70 anos completados o ano passado...

Lázaro era um poeta que se urbanizou sem perder suas raízes, defensor do cerrado, socialista ateu e caipira assumido, Lázaro transitava em sua poesia da natureza, seus bichos e seus encantos à Che Guevara, a revolução e o sofrimento do povo; uma fusão involuntária e encantadora de Mário Quintana com Manoel de Barros, com pitadas da indignação dos socialistas.

Vai, Lázaro, povoar o céu dos poetas, daqueles que cultivaram na vida a arte, a beleza e o sonho de um mundo melhor.