09 de julho de 2026
Nacional

Barroso volta a criticar voto impresso como mecanismo de auditagem de urna

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, discursou na manhã desta quinta-feira (29), no evento de inauguração da nova sede do Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC). O magistrado fez duras críticas à proposta de adoção do voto impresso como mecanismo adicional de auditagem das urnas eletrônicas.

As falas ocorrem no mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro prometeu fornecer as provas de que as eleições de 2014 e 2018 foram fraudadas. Ao falar na celebração, Barroso afirmou que "o discurso de que se eu perder houve fraude, é um discurso de quem não aceita a democracia". "Este é um sistema que consagra a democracia, porque uma das características da democracia é a alternância de poder", afirmou. O presidente do TSE mencionou que as urnas eletrônicas elegeram tanto Jair Bolsonaro, quanto Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva e Dilma Rousseff, garantindo que diferentes espectros ideológicos governassem o País.

Sem mencionar nominalmente Bolsonaro, principal defensor da impressão de comprovantes do voto, Barroso afirmou que "uma causa que precise de ódio, mentira, desinformação, agressividade e grosseria não pode ser uma causa boa".

No dia 9 deste mês, em conversa com apoiadores em frente ao Palácio do Alvorada, Bolsonaro chamou o presidente do TSE de "imbecil' e "idiota". Ele também ameaçou a realização das eleições no ano que vem caso o Congresso Nacional rejeite a Proposta de Emenda à Constituição, da deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF), que pretende incluir impressoras nas urnas eletrônicas.

"Eu não me distraio com miudezas, eu vivo para fazer o que é certo, justo é legítimo, sem ser o dono da verdade, porque numa democracia não tem donos da verdade. A democracia é o regime em que há muitas verdades possíveis, mas a mentira deliberada tem dono é essa precisa ser adequadamente denunciada", disse Barroso em seu discurso.

O presidente do TSE elencou os pontos que, segundo ele, desabonam o projeto do voto impresso: a logística de transporte e armazenamento dos votos, o forte esquema de segurança necessário para garantir a lisura do processo eleitoral, a possibilidade de retorno de fraudes com o manuseio das cédulas e a eventual contestação judicial das apurações.