08 de julho de 2026
Esportes

Medalha histórica


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O talento de Rebeca Andrade finalmente foi recompensado com um lugar entre os maiores nomes da ginástica artística. Dona de uma técnica inquestionável, mas continuamente atormentada por problemas físicos - foram três cirurgias de reconstituição do ligamento cruzado anterior do joelho direito -, a atleta de 22 anos mirou o palco das Olimpíadas de Tóquio para brilhar.

Conseguiu, conquistando a medalha de prata na prova individual geral, nesta quinta-feira (29). É o primeiro pódio da ginástica feminina do Brasil, após quatro alcançados pelos homens, com Arthur Zanetti (duas vezes), Diego Hypólito e Arthur Nory nas duas últimas edições dos Jogos Olímpicos. O ouro ficou com a estadunidense Sunisa Lee e o bronze foi para a russa Angelina Melnikova.

Após a cerimônia de premiação, Rebeca disse estar "feliz demais" com a conquista e a dedicou a todas as gerações de ginastas brasileiras. "Consegui nossa primeira medalha. Todas as pessoas que já passaram pela ginástica feminina do Brasil se veem aqui nessa medalha, estão se sentindo orgulhosas de mim e fazendo parte dessa história. Estou só continuando, dando mais um passo na nossa geração", afirmou.

O individual geral define quem é a ginasta mais completa da competição. As atletas se apresentam nos quatro aparelhos (solo, salto, trave e barras assimétricas) e têm as notas obtidas em cada um somadas. O ouro passou perto da brasileira. Rebeca perdeu a liderança na prova da trave. Na última etapa, o solo, sua especialidade, ela saiu do tablado, perdeu pontos e não conseguiu virar a disputa com a estadunidense Sunisa Lee - a diferença final entre elas ficou em 135 pontos, margem pequena para a ginástica.

Até agora, os maiores momentos da ginástica brasileira haviam sido de especialistas, como Zanetti, nas argolas, e a campeã mundial Daiane dos Santos, no solo. Sob o hit "Baile de Favela", a performance de Rebeca foi acompanhada na arena por palmas das pessoas que estavam na arquibancada - em sua maioria jornalistas e delegações, já que a venda de ingressos foi vetada por causa da pandemia.

O Brasil nunca teve uma ginasta tão técnica e versátil quanto Rebeca. A brasileira encantou os Jogos de Tóquio ao se apresentar na prova do solo desde a classificatória. Rebeca foi aplaudida pelos presentes na arena, mas sobretudo por uma pessoa especial: Simone Biles, a lenda da ginástica americana que desistiu de competir na final desta quinta-feira (29) alegando questões de saúde mental.

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Entre as melhores do mundo no salto e no solo, a paulista de Guarulhos tem como principais características seus movimentos limpos e alta capacidade de foco. Nos últimos meses, na avaliação de pessoas próximas, reforçou o último ingrediente que lhe faltava para brigar pelo pódio: a confiança de que era possível chegar lá.

Conseguiu vaga para as finais do salto e do solo entre as primeiras colocadas e passou com a segunda melhor somatória para o individual geral. A primeira? A estadunidense Simone Biles, grande nome das Olimpíadas de Tóquio e favorita a praticamente tudo o que tentasse no Japão.

As cartas se embaralharam quando a estrela anunciou que não disputaria o individual geral, após também ter abandonado a competição por equipes no meio, para, segundo ela, preservar sua saúde mental. Cabia a Rebeca pensar no seu trabalho e repetir a boa execução da classificatória.

Diferentemente da Rio-2016, quando passou com a terceira nota e terminou em 11º, Rebeca se manteve entre as melhores na hora da verdade e agora pode comemorar que entrará para a história da ginástica brasileira.