A dupla Martine Grael e Kahena Kunze conquistou o bicampeonato olímpico na classe 49er FX ao chegar na terceira posição na medal race, a regata decisiva, nesta terça-feira (3). Elas fizeram uma ótima regata e ficaram à frente das suas principais adversárias por um lugar no pódio. A prata ficou com a Alemanha e o bronze com a Holanda.
Na disputa desta terça, as brasileiras escolheram um caminho diferente das principais adversárias e a estratégia deu certo. Elas passaram na terceira posição na primeira e na segunda boia, atrás apenas do barco da Argentina e da Noruega. Passaram a terceira boia na mesma posição e depois foi só ultrapassar a linha de chegada para confirmar a medalha de ouro para o Brasil.
"Ainda não caiu a ficha. Foi uma semana muito difícil, um campeonato de recuperação. Pensamos que seria duro, mas não desistimos", salientaram as bicampeãs olímpicas.
"Eu acho que essa medalha mostra que a vela feminina no Brasil é capaz, sim! Basta as meninas encontrarem uma boa dupla, uma boa parceria porque não sei, a gente tem meninas aí que já com a nossa última medalha abriram o horizonte e é isso que a gente quer. A gente quer inspirar e trazer essa vela feminina como um legado, sabe?", destacou Kahena. "Espero que essa medalha traga mais futuras meninas para a nossa vela".
Martine lembrou as peculiaridades do último ciclo olímpico, alterado pela pandemia de Covid-19. "Não é uma (caminhada) só construída de vitórias, né. Acho que a gente passa por um longo caminho como atleta durante esse ciclo. Esse ano foi um ciclo de um ano a mais - cinco anos, né? -, que a gente passou ali entre tristezas e alegrias."
A campanha da dupla brasileira nos Jogos de Tóquio foi de superação na raia de Enoshima. Na primeira regata, elas ficaram apenas na 15ª posição, a pior colocação que tiveram no Japão. Mas depois foram melhorando e se acostumando com a imprevisibilidade da baía, que oscila com ventos fortes e fracos e ainda sempre existe a possibilidade de chegada de tufão.
Em desvantagem na disputa, Martine e Kahena se recuperaram e no sábado (31) de madrugada, nas duas últimas disputas antes da medal race, ficaram com um segundo lugar e um décimo lugar e empataram na liderança, já que as holandesas tiveram uma 11ª posição e uma 16ª, que acabou sendo o descarte delas.
No dia marcado para a medal race, na segunda-feira (2), as condições meteorológicas obrigaram os organizadores a cancelar as regatas do dia. Por causa da falta de ventos, a decisão da classe 49er FX foi adiada em um dia. "É normal isso acontecer. Nos Jogos do Rio isso ocorreu também. A gente depende do vento para velejar", explicou Torben Grael, chefe da equipe de vela do Brasil.
Esta foi a 19º medalha da vela brasileira na história dos Jogos Olímpicos e a única conquistada pela modalidade até o momento em Tóquio. Também é o nono pódio da família Grael, que tem em Torben, pai de Martine, o principal expoente. Ele disputou seis edições das Olimpíadas e ganhou dois ouros (Atlanta-1996 e Atenas-2004), uma prata (Los Angeles-1984) e dois bronzes (Seul-1988 e Sydney-2000).
Já Lars Grael, tio da atleta, competiu em quatro Olimpíadas e tem duas medalhas de bronze no currículo (Seul-1988 e Atlanta-1996).
Outro integrante da família é Marco Grael, irmão de Martine e que competiu em Tóquio na classe 49er, mas acabou na 16ª posição geral e não se classificou para a medal race.