Como medida para tentar controlar a inflação, o Banco Central decidiu elevar a taxa Selic de 4,25% para 5,25% ao ano. A mudança ocorreu nesta quarta-feira (4) e representou a quarta alta consecutiva dos juros, mas os efeitos não serão sentidos imediatamente pelo consumidor. Segundo economista ouvido pelo JC, a previsão é de que os preços comecem a ceder nos próximos seis meses, dentro de um ciclo de alta da taxa básica iniciado em março deste ano.
Nas três decisões anteriores, a taxa havia sido elevada em 0,75% e, agora, a alta foi de 1%, o que não ocorria de uma só vez há 18 anos. E o Banco Central já sinalizou que, em setembro, aplicará o mesmo aumento, levando a Selic a 6,25% ao ano.
O economista Reinaldo Cafeo observa que o Comitê de Política Monetária do Banco Central vinha mantendo a taxa baixa, chegando ao mínimo histórico de 2%, o que estimulava o consumo, considerado importante em um cenário de pandemia e recessão. Porém, a alta demanda pressionou os preços e, com a elevação da inflação, o brasileiro passou a concentrar seu consumo em bens básicos.
"Isso gera um desequilíbrio. Agora, com este ciclo de alta da taxa Selic, se chegarmos a uma inflação mais comportada até o fim do ano, haverá condições favoráveis para a inflação ser baixa em 2022, perto da meta de 3,5%, e o consumidor vai sentir no dia a dia", projeta.
Historicamente, a elevação da taxa básica de juros ajuda a 'esfriar' a atividade econômica. Na prática, ela encarece o custo do crédito para o consumidor, que passa a gastar menos, o que desestimula a alta de preços e controla a inflação. Porém, neste momento, é preciso considerar outras variáveis, como o valor das commodities no mercado internacional, o preço dos combustíveis, a crise energética provocada pela estiagem e as perdas registradas pelo agronegócio em função das geadas.
FINANCIAMENTOS
O aumento do juro básico da economia também reflete em taxas bancárias mais elevadas, o que deve dificultar o acesso a financiamentos, inclusive habitacionais. Cafeo pondera, contudo, que todo empréstimo que tiver garantia de pagamento, como é o caso do consignado, não deverá sofrer reajustes significativos de juros.
"O mesmo vale para financiamento de automóveis, que tem o veículo como garantia, e o imobiliário, que tem a garantia do imóvel. O ajuste deverá ser maior e mais imediato quando não houver essa garantia, como é o caso do empréstimo pessoal. E isso também vale para o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito, que já têm juros mensais bastante elevados", pontua.
O assessor de investimentos Thelguer Siqueira Medeiros destaca a importância de estar atento ao regime de contratação no momento de fazer o empréstimo, que deve ter taxas prefixadas. Com isso, tendo em vista que a previsão é de novo aumento da Selic até o fim do ano, o juro combinado junto à instituição financeira não poderá ser majorado. "E quem já está pagando um financiamento que não for com taxa prefixada poderá ter de arcar com um juro maior a partir de agora. Pode impactar no bolso", frisa.
Da mesma forma, quem estava pagando parcelas do empréstimo e conseguiu negociar taxas menores junto aos bancos quando a Selic estava em níveis mínimos poderá, agora, voltar a pagar juros maiores.