10 de julho de 2026
Geral

Pais de alunos do CTI recorrem ao MP por volta às aulas presenciais

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Pais de alunos do Colégio Técnico Industrial Professor Isaac Portal Roldán (CTI) formalizaram, nesta quarta-feira (4), uma representação no Ministério Público (MP) para reivindicar a retomada das aulas presenciais na unidade, que é mantida pela Unesp em Bauru. O pedido é para que o órgão intermedeie a discussão sobre a volta às aulas junto à instituição de ensino, em um momento em que todas as escolas do Estado de São Paulo estão autorizadas a reabrir com 100% da capacidade, se cumpridos os protocolos sanitários, como distanciamento social.

No documento, os pais alegam que os estudantes estão em aulas remotas desde março de 2020, sem possibilidade de convívio com os colegas e com prejuízos pedagógicos acumulados há quase um ano e meio. Além disso, afirmam que os alunos dos três cursos técnicos do CTI - de eletrônica, mecânica e informática - não tiveram aprendizado prático nos laboratórios e, sem este conhecimento, a realização dos estágios obrigatórios do 2.º e 3.º anos torna-se inviável.

Promotor da Infância e Juventude, Lucas Pimentel de Oliveira adianta que irá instaurar um procedimento para apuração dos fatos, tendo como um dos primeiros passos ouvir a diretoria do CTI, que alegou aos pais e ao JC ser subordinada às diretrizes estabelecidas pela Unesp. E o Comitê Covid-19 da universidade, em seu último comunicado, de 13 de julho, informou que o ensino remoto continuará mantido, condicionando o retorno das atividades presenciais ao avanço da vacinação, à situação epidemiológica da pandemia e às condições de biossegurança em suas unidades.

'FUNDAMENTO'

"Vamos analisar os argumentos do colégio para não retomar as aulas, nem mesmo em sistema híbrido. A decisão precisa ter fundamento, senão fere o direito à educação dos alunos. Em princípio, me parece estranho não voltar, se o ensino médio da rede particular e pública estão retornando", avalia o promotor.

Conforme alegaram os pais, o CTI é um dos únicos colégios de Bauru que não retomaram as aulas, o que configura falta de equidade e oportunidade de aprendizado em relação aos demais estudantes do município. A expectativa era de que a retomada ocorresse ao menos de forma híbrida, com turmas reduzidas, ou, no mínimo, apenas nos laboratórios, algo que consideram viável, já que o CTI é um colégio de ensino médio, com número não tão elevado de alunos - são cerca de 600, divididos entre os períodos da manhã e tarde.

"Estes pais anexaram o comunicado da Unesp, de julho, e ele é muito genérico, não apresenta as razões para a manutenção do ensino remoto. Os pais questionam os motivos e vamos investigar o que está acontecendo", completa o promotor.

SEM AUTONOMIA

Diretor do CTI, André Luiz Dalastti reforça que o CTI é vinculado à Faculdade de Engenharia do câmpus da Unesp de Bauru (FEB) e não possui autonomia administrativa e financeira, sendo subordinado às diretrizes estabelecidas pela Reitoria da universidade.

Ele diz que o colégio mantém diálogo permanente com a FEB e os pais de alunos, visando o retorno às aulas de forma híbrida, com prioridade às atividades práticas, mas que depende de recursos da Unesp para realizar as adequações necessárias para cumprimento dos protocolos sanitários e para viabilizar a transmissão de aulas online.

"Enquanto isso, estamos fazendo todos os esforços para manter um ensino de qualidade. Claro que existem perdas, mas estamos trabalhando para minimizá-las", frisa, citando como exemplo o uso de simuladores em disciplinas que demandam aulas práticas. Dalastti frisa, ainda, que as aulas remotas não inviabilizam a realização de estágios, destacando que as empresas estão conscientes sobre eventuais limitações dos estudantes neste momento.

"De qualquer forma, o aluno não precisa fazer o estágio agora. Ele tem um prazo de até seis anos a contar da data em que entrou no colégio. Até cumprir o estágio, ele não recebe a certificação do curso técnico, mas conclui o ensino médio e pode seguir normalmente com sua vida acadêmica", garante.

VAI ESTUDAR

Por meio de nota, a assessoria de imprensa da Unesp informou que, diante do cenário atual da pandemia de Covid-19, a instituição irá "estudar o assunto com a profundidade que merece".