Em 31 de março de 1983, nascia o movimento "Diretas Já"... Nessa época, o povo se uniu em torno de um ideal de liberdade.... Todos vestiam amarelo, levavam a bandeira brasileira e iam para rua pedir o fim do regime militar, a volta da democracia, o direito ao voto e uma nova constituição cidadã...
Se naquela época me dissessem que, passados 38 anos, algumas pessoas estariam trabalhando para dividir o país, pedindo a volta da ditadura, o fim da democracia e a destruição das instituições do estado democrático de direito, pelo qual tanto lutamos, eu não acreditaria...
Não acreditaria, principalmente, porque essas pessoas vestem o mesmo amarelo, e levam consigo a mesma bandeira de outrora... E, pior, se dizem patriotas!
Nesse novo arremedo desfigurado de patriotismo, não há espaço para o senso de nação e povo ou para a pluralidade de ideias... Tudo se resume ao triste e pobre "nós contra eles" - onde "eles" é tudo e todos que ousem ter senso crítico e divergir da alucinação vigente...
Revivemos o estado policialesco de uma Gestapo tupiniquim, em que qualquer questionamento, por mais singelo e justificável que seja, é visto como traição antipatriótica.
O que pouca gente percebe é que nessa manada insana trafegam dois grupos diferentes: aqueles que sempre se deram bem e que tocam o berrante... e a massa tangida dos medíocres que, com olhar bovino, segue a marcha, pisoteando tudo com fúria dos irracional. Como disse Winston Churchill, "a democracia é o pior dos regimes políticos, mas não há nenhum sistema melhor que ela".
Para mim, esse apego a figuras paternalescas e autoritárias revela a imaturidade e com essa imaturidade o medo de tomar a responsabilidade do destino nas próprias mãos. Fico pensando: quem tem medo da democracia?
Afinal, quando um povo a renuncia de forma clara, implicitamente revela sua total incompetência para gerir o futuro e conviver com a liberdade.
O autor é colaborador de Opinião.