11 de julho de 2026
Geral

Média de habitantes por domicílio cai e revela mudanças nas famílias

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Dados da Fundação Seade apontam que a média de habitantes por imóvel em Bauru reduziu de 3,48 para 2,84 entre 2000 e 2020. As estatísticas revelam uma mudança de comportamento em curso nessas duas décadas, puxada principalmente pela queda de fecundidade, e que deve se acentuar ainda mais nos próximos anos. Os arranjos familiares ficaram cada vez menores, o setor imobiliário se expandiu e o número de moradias aumentou 42% na cidade (leia mais abaixo).

A queda de habitantes por imóvel em Bauru reforça uma tendência observada em todo o Estado, de que, até 2050, a maior parte dos domicílios passará a contar com aproximadamente uma pessoa a menos.

A redução, segundo explica o demógrafo Carlos Eugenio de Carvalho Ferreira, da Fundação Seade, deriva de um processo de transição demográfica, puxado, entre outros fatores, pela redução da taxa de fecundidade das mulheres. Esse processo, inclusive, está diretamente associado à diminuição do tamanho das famílias e, consequentemente, à menor quantidade de indivíduos morando em uma única residência.

"Hoje, o Estado de São Paulo apresenta média de 1,7 filho por mulher. E uma das variáveis mais importantes para explicar essa queda da fecundidade é o fato de elas terem entrado de vez para o mercado de trabalho", comenta Ferreira. "Na década de 80, 40% dos domicílios no Estado tinham até cinco habitantes. Em 2010, este índice caiu para 15%. E, neste mesmo período, as moradias com 1 ou 2 pessoas aumentaram de 20% (na década de 80) para 35% (em 2010)", completa o demógrafo.

E a projeção indica que, até 2050, a média de habitantes por imóvel, em Bauru, reduzirá ainda mais: para 2,38 (veja mais no quadro ao lado). O que representa, de fato, uma pessoa a menos nos lares na comparação com o início do milênio.

NOVOS ARRANJOS

Após ganharem força no início dos 90, a separação e o divórcio também teriam ajudado a ampliar a diversificação das composições familiares, que ganharam novos e menores arranjos.

"Ao se separar, o casal gera outros dois domicílios. Além disso, muitos lares, hoje, contam só com mãe e filhos, ou pai e filhos, ou com um avô ou uma avó", pontua Ferreira. "Muitos jovens, assim que atingem alguma independência, também buscam morar sozinhos e, muitas vezes, sem casar. Há, ainda, a questão das uniões não formalizadas em cartórios, que aumentaram muito nos últimos anos", avalia demógrafo.