08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

"O centro como república"

Prof. Joaquim Eliseo Mendes - Membro efetivo da ABL
| Tempo de leitura: 3 min

A "Entrevista da Semana" concedida à jornalista Larissa Bastos no JC de domingo passado (8) pelo doutor Adalberto da Silva Retto Júnior, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unesp de Bauru, sobre uma avaliação do urbanismo da cidade, veio ao encontro do que sempre pensei em relação aos alunos na ocupação dos apartamentos e residências vagos e disponíveis no centro de Bauru visando sua revitalização. Incluo nessa possibilidade aquelas famílias que anseiam por casa própria. Deste paradoxo habitacional indiscutível, um centro vazio e contínua expansão periférica gerando problemas de toda ordem. Antes da pandemia do coronavirus, que se tornou um marco histórico, eu gostava de nos domingos e feriados à tarde, dar umas voltas tranquilas de carro pela parte central da cidade com o intuito de fazer redescobrimentos, lazer, conjeturar em um peculiar passatempo. Comovia-me com a quietude nas ruas por onde transitava e com o número de antigas residências transformadas em comercio e apartamentos desocupados para serem alugados.

Em determinadas ruas sentia uma tristeza no ar pela ausência de pessoas, principalmente das crianças com seus pais e animaizinhos de estimação . Se nas tardes era assim , nem se fale nas noites durante a semana, em que tinha que sair do meu lar para determinados compromissos. Esta é a situação que perdura nas principais ruas centrais como a 1º de Agosto, Batista de Carvalho, mesmo com o "Calçadão", Kennedy, Bandeirantes e outras.

Como se diz na gíria, "dá medo!". Quantas residências e apartamentos fechados, desabitados. Como disse em desabafo um meu amigo "não via a hora de me mudar, fugir para um bairro porque no centro não se tem vizinho, é muito triste e perigoso".

Este fato inegável nos leva a um questionamento que deve ser pensado e repensado pelos cidadãos bauruenses, governantes, legisladores e administradores pelas implicações sociais primeiramente, políticas e governamentais. Por que somente o crescimento habitacional na periferia com o surgimento de novos bairros com o aumento de problemas de infra estrutura que demandam investimentos exorbitantes nem sempre existentes, quando há um considerável número de casas e apartamentos disponíveis no centro da cidade? Por que não se pensar em financiamentos para a aquisição e mesmo aluguéis de casas e apartamentos de baixo custo no centro da cidade com a observância de determinada área em vez das extensões periféricas originando incontáveis e reconhecidos problemas? Sem sombra de dúvidas ocorreria a revitalização do centro de Bauru tão citada e desejada pelo comércio e também por outros moradores remanescentes. Pois ainda restam alguns residentes na área central.

Acredito que idêntico problema, o esvaziamento com ociosidade central, também ocorra em outras cidades com o porte ou maiores do que Bauru, com exceção de São Paulo. Assunto e realidade sérios para serem abraçados pelos governantes e políticos.

Por que não disponibilizar tais financiamentos? Com este repovoamento ou reocupação da área central por estudantes como principalmente pelos novos proprietário e inquilinos ocorrerá inegavelmente a revitalização central. Tenho certeza, respeitando todo direito que lhes é assegurado, de que alguns leitores consideram estas colocações como utópicas. Porém, não poderão negar de que a realidade ou fato é evidente, de que ideias são importantes pelo que poderão gerar e, principalmente de que o nosso centro, principalmente, não pode se transformar em uma área fantasma. Ao ilustre colega e coordenador da Unesp, os meus efusivos cumprimentos pela riqueza da entrevista e pela comunhão dos nossos pensamentos.