08 de julho de 2026
Internacional

Itamaraty pede participação da ONU


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Brasília - O Ministério das Relações Exteriores cobrou nesta segunda-feira, 16, o envolvimento direto das Nações Unidas e de seu Conselho de Segurança para intermediação e garantia da segurança na crise gerada pelo retorno do Taleban ao poder no Afeganistão.

 "O Brasil espera o rápido engajamento das Nações Unidas para o estabelecimento de canais de diálogo e espera que o Conselho de Segurança possa atuar para assegurar a paz na região", afirmou o Itamaraty. "É essencial assegurar a atuação plena da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA)."

O Itamaraty manifestou "profunda preocupação" com a deterioração da situação no país e com as graves violações de direitos humanos. 

No começo da noite de ontem, o presidente francês Emmanuel Macron anunciou uma iniciativa europeia para lidar com os fluxos de imigrantes do Afeganistão que devem ser desencadeados após o Taleban tomar o país. Num discurso na televisão, Macron alertou que a desestabilização do Afeganistão pode gerar fluxos migratórios irregulares e afirmou que embora a França continue a proteger "os mais ameaçados", a Europa sozinha não pode suportar as consequências da situação real. Ele conta com apoio da chanceler Angela Merkel para receber os refugiados, mas pede envolvimento de toda a Europa.

A esquadrilha de aviões de ataque leve A-29 Super Tucano da brasil eira Embraer operada pela Força Aérea do Afeganistão vive uma saga desde que o Taleban acelerou a tomada do país, consolidada com a ocupação de Cabul no domingo (15). Os aviões foram comprados pelo governo norte-americano e doados ao governo afegão.

Dos 23 aparelhos que estavam no país, ao menos 14 foram levados, em segurança, para o Uzbequistão, e 1 deles caiu na operação. Os restantes têm destino incerto, segundo avaliação do Departamento de Defesa dos EUA colhida pela Folha.

O que é certo é que pelo menos um dos aviões está em mãos do Taleban, segundo informações da inteligência militar americana, que teve acesso a fotografias de militantes do grupo fundamentalista em torno do Super Tucano em um lugar incerto.

O avião que caiu foi abatido pelas defesas antiaéreas uzbeques, segundo agências de notícias russas, ou se chocou com um caça do país que o acompanhava na fuga. Seja como for, os dois pilotos afegãos do Super Tucano sobreviveram e estão em um hospital em Termez, capital da província de Surkhondario.

Ele fazia parte de um grupo de 22 aviões e 24 helicópteros militares que escaparam entre o sábado (14) e o domingo, dia da queda do governo de Ashraf Ghani. Eles violaram espaço aéreo uzbeque em busca de refúgio, e é provável que tenham sido pilotados à revelia dos superiores dos aviadores.

Os aviões brasileiros foram produzidos sob licença nos EUA pela parceira local da Embraer, a Sierra Nevada. Eles foram adquiridos por US$ 428 milhões em um lote de 20 em 2011, que começou a operar cinco anos depois, e em outro de 6 unidades, por US$ 130 milhões em 2017.

O fato de alguns Super Tucano e pelo menos 91 helicópteros terem ficado para trás não significa necessariamente que agora eles voem pela Força Aérea do Taleban.

Nesta segunda (16), com a poeira ainda densa no ar dos eventos do domingo, o Taleban informou que pretende oferecer total anistia a soldados afegãos que tenham lutado contra o grupo fundamentalista, desde que se filiem a ele.