09 de julho de 2026
Articulistas

Insegura volta às aulas

Adilson Roberto Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Um ano atrás escrevi neste espaço o artigo "Nebulosa volta às aulas" (28/8/2020), quando a discussão era sobre as incertezas na retomada segura das aulas que se aventava naquele momento. Hoje o Plano São Paulo deixa de existir. Na dúvida para decidir uma nova cor para essa fase, o governo paulista deveria optar pelo rosa shock.

Não dá para ser o vermelho gritante, uma vez que tudo já está aberto e liberado, mas precisa manter parte dos comprimentos de onda de alerta. A luz tem a dualidade partícula-onda, ensina-nos a física, e a cor pode ser entendida como uma energia associada ao inverso da distância entre vales ou picos dessas ondas. Daí o termo comprimento. Além disso, o rosa é uma cor que suaviza no choque que causa, carregando um pouco de ironia - ou piada.

Sarcasmo à parte, nesse período de doze meses aprendemos com a pandemia e sua dinâmica e sabemos que o principal problema na juntada de pessoas - alunos e professores aí incluídos - é a ventilação para não deixar o vírus circular. Ou não respirar o vírus alheio. A habitabilidade de nossos espaços letivos não é adequada nem para períodos regulares, o que se dirá para o momento pandêmico. E não trabalhamos na melhoria das condições. O ar condicionado sem filtro adequado para reter partículas do vírus e sem circular o ar interno para o ambiente exteno será apenas um instrumento da acumulação viral.

Mas parece que já assimilamos o luto, sem a chance de transformá-lo em saudade ou sabedoria. Lembremos apenas que no fim de semana morreu mais gente de covid-19 no Brasil do que no terremoto no Haiti. Nossos índices médios de mortos e contaminados continuam iguais ao de um ano atrás, apenas com o viés de baixa, pois a variante delta do coronavírus ainda não é dominante entre nós. Mas será.

 O autor é pesquisador na Unesp em Rio Claro - adilson.goncalves@unesp.br