07 de julho de 2026
Regional

Botucatu identifica variante delta


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Botucatu - Considerada mais transmissível que as demais variantes em circulação no Brasil do Sars-CoV-2, vírus causador da Covid-19, a variante delta foi identificada, pela primeira vez, em amostra proveniente de munícipe de Botucatu (100 quilômetros de Bauru). Segundo matéria publicada no Jornal da Unesp, o alerta epidemiológico foi dado oficialmente nesta quarta-feira (18) às autoridades de saúde do município pela Rede de Vigilância Genômica da Unesp (Vigenômica), que integra a Rede de Alertas das Variantes do Sars-CoV-2, coordenada pelo Instituto Butantan.

O sequenciamento genético positivo para a variante se refere às amostras da Semana Epidemiológica entre 1 e 7 de agosto, antes da aplicação da segunda dose da vacina Oxford/AstraZeneca/Fiocruz, campanha que começou a completar o ciclo de imunização da população adulta de Botucatu em 8 de agosto — mais de 60 mil residentes na cidade já receberam as duas doses.

Em razão do estudo de efetividade da vacina, realizado em colaboração com a Unesp, além da imunização em massa dos munícipes, todos os casos positivos para Sars-CoV-2 identificados em Botucatu e outras 11 cidades da região, conhecida como Polo Cuesta, estão sendo sequenciados para o monitoramento das variantes em circulação nessa parte do território paulista.

"Um dos méritos de uma pesquisa de vida real como esta em andamento em Botucatu é avaliar impacto de vacinas em situações como esta, com mudança de variante (predominante) ou entrada de nova variante", afirma Carlos Magno Fortaleza, principal pesquisador do estudo e professor da Faculdade de Medicina da Unesp, campus de Botucatu.

"Até este momento, a maioria dos casos (da variante delta) havia sido diagnosticada no eixo Rio-São Paulo, incluindo algumas cidades ao longo da Via Dutra (principal rota rodoviária entre as duas capitais). O achado em Botucatu pode indicar uma interiorização desta variante". No último dia 13, Marília divulgou caso da variante delta.

O SEQUENCIAMENTO

O sequenciamento genético dos casos positivos da região está sendo realizado pelo Laboratórios de Biologia Molecular do Hospital das Clínicas de Botucatu, sob a coordenação da professora Rejane Grotto, e pelo Laboratório Central Multiusuário, coordenado pelo professor Jayme de Souza-Neto, que também coordena a Vigenômica.

Apesar de os cientistas ainda buscarem respostas para algumas questões relevantes, como a duração da eficácia do imunizante ou o porquê de a variante delta do Sars-CoV-2 conseguir escape para se propagar em uma população vacinada (o que já ocorreu em outros países), a vacina da Oxford/AstraZeneca/Fiocruz protege, com as duas doses, em 70% dos casos sintomáticos. Com uma só dose, a proteção cai para 30%.

"Este sequenciamento da variante Delta em Botucatu é um ponto de atenção. Vamos seguir monitorando, em parceria com a rede coordenada pelo Butantan", afirma Souza-Neto. "A variante Delta é de alta transmissibilidade e este trabalho de vigilância é importante para balizar tomadas de decisões estratégicas pelas prefeituras locais", completa Grotto.