Em 2021, Bauru completará três anos sem campanha de vacinação antirrábica, já que não há previsão para ações do tipo neste ano e a última vez que cães e gatos foram vacinados contra a raiva em campanha foi em 2018. A prefeitura aponta que ações em massa do tipo estão suspensas em razão de portaria estadual, que considera a pandemia da Covid-19 e que o último caso humano pela variante canina, no Estado, ocorreu em 1997 e, em animal, em 1998. Está mantida, no entanto, a vacinação fixa por agendamento, que deve ser feita direito na sede do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). O município ressalta ainda ter redobrado sua vigilância.
Diretor da Divisão de Vigilância Ambiental, Roldão Puci ressalta que a maior preocupação recai, hoje sobre a variante do vírus que circula e é transmitida entre morcegos, que entraram para o rol dos animais de importância epidemiológica justamente por serem os mantenedores desta circulação viral no Estado.
A última amostra positiva para raiva em Bauru, inclusive, foi detectada em 2020 em um morcego.
ANÁLISE
Hoje, o CCZ orienta os munícipes a entrarem em contato direto com o órgão ao encontrar morcegos em situações não habituais, como caídos no chão, mortos ou não. A espécie mais comum nos centros urbanos, contudo, é o Molossus sp, que é insetívoro (que se alimenta de insetos) e que quando pousado no chão apresenta grande dificuldade em levantar voo.
"É algo que pode acabar confundindo as pessoas. Por isso, é preciso manter a calma e agir com cautela. Se ele não se mexer por muito tempo e parecer doente, o melhor é isolá-lo com um balde e acionar o CCZ. E, claro, nunca tocá-lo", comenta Roldão, lembrando que morcegos exercem papel importante na dispersão de sementes, polinização de plantas e controle de insetos e pragas, e que são animais da fauna silvestre protegidos por lei (Lei 5.197 de 3 de janeiro de 1967).
Os morcegos com a suspeita da doença são recolhidos pelo CCZ e há um encaminhamento de amostra para análise laboratorial, a fim de diagnosticar se o animal tinha o vírus rábico. Por mês, o CCZ recolhe cerca de 10 morcegos para análise.
ACOMPANHAMENTO
A preocupação do poder público, contudo, ainda existe diante da possibilidade de o vírus voltar a incidir em animais domésticos e humanos.
"O CCZ realiza o acompanhamento de cães e gatos que tiveram contato direto com morcegos, justamente como forma de monitorar. A interrupção das campanhas de vacinação redobrou nossas ações de vigilância ativa", acrescenta Roldão. "Hoje, é estabelecido um risco epidemiológico para a execução da campanha antirrábica. Se a qualquer tempo identificarmos um caso em canídeo, por exemplo, com certeza a campanha será retomada", completa Puci.
O agendamento da vacinação no CCZ ocorre, segundo a prefeitura, como de forma a otimizar a utilização dos frascos da vacina disponibilizados pelo SUS.
SUSPENSÃO
A coordenação da campanha antirrábica é feita pelo Ministério da Saúde. A suspensão da campanha em 2019 teria sido causada por um problema em relação ao insumo da vacina. Já em 2020 e 2021, os riscos diante de aglomerações em meio à pandemia foram considerados.
Em junho deste ano, uma deliberação estadual (CIB n.º 74, 23/06/2021) pondera ainda os indicadores epidemiológicos, que apontaram que o último caso humano pela variante canina ocorreu em 1997 e o último caso animal em 1998. "Desde então, todos os casos humanos registrados no Estado foram causados por variantes de morcego, que são os principais transmissores da raiva, atualmente", cita a deliberação publicada no Diário Oficial do Estado.
SERVIÇO
O CCZ pode ser acionado de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, por meio do telefone (14) 3103-8050.