08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Diálogo entre pai e filha...

Carlos R. Ticiano
| Tempo de leitura: 3 min

Se for realizada uma enquete para saber como os casais se conheceram, provavelmente vamos ter uma variedade de respostas. Alguns vão dizer que foi na empresa, no condomínio, na faculdade, no supermercado, na academia, entre outros lugares. No caso de Sérgio e Sônia, não foi diferente, considerando algumas nuances.

Dia desses, Sérgio foi surpreendido pela sua filha Sophia ao ser indagado - Papai como você conheceu a mamãe? Surpreso com a pergunta de uma jovem saindo da adolescência, não hesitou em satisfazer a curiosidade da filha. Você acredita em amor à primeira vista? Antes mesmo que Sophia pudesse responder, Sérgio exclamou - Veja como aconteceu! Nas férias escolares do mês de julho de 1976, a Escola Senac resolveu patrocinar um curso de Legislação Trabalhista, convocando algumas empresas a enviarem dois funcionários para participarem do evento, que teria a duração de uma semana. Seu pai trabalhava no escritório de uma loja comercial e sua mãe de telefonista, em uma indústria de papel.

A aula já tinha começado quando Sônia chegou com sua colega de trabalho e pediram licença para entrar. Alguns deve ter olhado, eu em particular, não consegui tirar os olhos dela. Recordo-me que a olhei fixamente e percebi que ela era uma garota especial, exatamente como imaginava em meus sonhos. Devido à sala estar praticamente cheia, Sônia desvencilhou se de sua colega, passou por detrás do professor e veio sentar-se justamente em uma carteira vazia à minha frente. Não tive dúvidas, de que não conseguiria ficar indiferente, a todos os detalhes daquele encontro casual, diante de uma jovem bonita, atraente e charmosa.

Nesta época, você estava namorando papai? Não! Tive alguns namorinhos, mas que não resultaram em nada. Sua mãe, no entanto, confidenciou-me depois que começamos a namorar, de que estava namorando. Talvez pressentindo um final feliz, terminou o romance no decorrer do curso.

Até parece cena de novela papai! Mas o que aconteceu depois? No decorrer da aula, não resisti e dei um jeito de puxar conversa com ela. Durante o intervalo das aulas, ficávamos o tempo todo conversando, diante de uma paquera discreta e intencional, em demonstrar entre ambos, um interesse mútuo. Foi uma semana inesquecível, não via à hora de revê-la à noite. Todos os dias, ao final da aula, sempre a acompanhava até a rua em que ela descia em direção da casa de Dona Clarice, onde estava hospedava para poder trabalhar e fazer a faculdade em Bauru. Quer dizer que ela não morava em Bauru? Não minha filha. Sua mãe era da cidade de Agudos.

Quando começou o namoro? Na segunda-feira seguinte, passei por uma floricultura e mandei-lhe rosas com um cartão - Hoje faz uma semana que conheci a garota mais bacana do mundo! À noite fui até a casa de Dona Clarice para revê-la e saber das novidades. E o que aconteceu, papai? Na saída ficamos conversando mais um pouco no portão e na despedida nos beijamos. Não havia mais dúvidas, era o início de um namoro.

Como foi o dia a dia de vocês, após o inicio do namoro? Foi maravilhoso, minha filha. Mas tenho muito ainda o que contar pra você. Mas está ficando tarde. Vou deixar o restante da narrativa pra outro dia. Você tem cursinho pré-vestibular amanhã cedo. Como representante comercial, tenho mais uma viagem pela região. Boa noite, papai! Boa noite, minha filha! Não se esqueça Sophia!

Você é o maior presente que eu ganhei de sua mãe. Com os olhos marejados exclamou - Você é um pedacinho da Sônia em minha vida...