10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Risco fiscal: Guedes e Campos destoam

FolhaPress
| Tempo de leitura: 1 min

Brasília - Os discursos do ministro Paulo Guedes (Economia) e do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, têm destoado quando o tema é a avaliação do risco fiscal do País. O desalinhamento é notado por analistas, que citam preocupações não só com a retórica do governo mas também com as propostas discutidas pelo Executivo.

Enquanto Guedes fala que o fiscal não está fora de controle e que a volatilidade recente do mercado não está ligada à realidade econômica, Campos Neto tem alertado sobre a percepção de risco para as contas públicas, a necessidade de o governo se explicar e até mesmo sobre consequências perversas do cenário - como a elevação dos juros em um país endividado.

Diante de incertezas sobre o destino das contas públicas, o mercado piorou suas projeções para câmbio, inflação e juros em 2021 na semana passada. A Bolsa passou a operar no vermelho no acumulado do ano. Também começaram a cair as expectativas para o PIB em 2022.

"Entendo que o ruído já foi gerado e isso tem de ser explicado. O governo tem de passar uma mensagem responsável sobre qual será a trajetória fiscal daqui para a frente", afirmou Campos Neto em evento na quinta-feira (19).

Para tentar amenizar a situação, Campos Neto disse na semana que, quando o governo explicar como será pago o novo Bolsa Família - renomeado de Auxílio Brasil - e esclarecer que a medida não vai impactar as contas públicas, o ruído deve diminuir.

Segundo o presidente do Banco Central, o mercado relaciona as últimas medidas anunciadas às eleições de 2022, o que gera desconfiança.