08 de julho de 2026
Geral

Com calor e estiagem, consumo de água dispara e nível do Batalha cai

Guilherme Tavares especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

Faz pelo menos quatro dias que a pilha de roupa suja só aumenta na casa da atendente Sandra Cristiane Banhare, moradora da Vila Lemos, em Bauru. Ela reclama de falta d'água desde sexta-feira passada. "Eu não tinha uniforme para trabalhar na segunda-feira. Não teve como lavar roupa no final de semana porque saía um fio de água da torneira", conta.

Além da roupa, lavar louça também se tornou um desafio. Ela, o marido e o filho só conseguiram tomar banho porque a água do chuveiro ficou armazenada na caixa. "Ainda assim, tem que ser rápido, para não ficar sem", afirma.

Segundo o diretor da Divisão de Produção e Abastecimento do Departamento de Água e Esgoto (DAE), Heber Soares Vieira, a bomba do poço que abastece a região queimou na última quinta-feira (19) e o reparou só terminou no sábado (21). "A Vila Lemos recebe um reforço do poço que fica no Núcleo Gasparini. Foi um problema mecânico (na bomba), um desgaste natural do equipamento, que estava em uso há dois anos", explica.

O bairro dela não faz parte do rodízio de água em Bauru. Mesmo assim, a região da Vila Lemos, a exemplo dos bairros abastecidos pela lagoa de captação do Rio Batalha, sofre com os impactos da estiagem. "É um setor grande, fez muito calor esse fim de semana, consumo alto, acaba atrapalhando o restabelecimento. Deve normalizar só no decorrer da semana", afirma Vieira.

RODÍZIO MANTIDO

Atualmente, duas regiões se alternam no rodízio de água: uma composta por Centro, Altos da Cidade e Estoril; e a outra por Vila Falcão, Jardim Ouro Verde e Jardim Vitória. Ao todo, cerca de 90 mil pessoas dessas regiões são afetadas. São 24 horas com água na torneira e 24 sem (veja mais no infográfico ao lado). "Nesta segunda (23), o nível da lagoa de captação está em 2,97 cm (o ideal é cerca de 3,20 cm). Precisa chover dentro de 15 a 20 dias, pelo menos para subir um pouco o nível para manter esse esquema de abastecimento. Senão, o rodízio deve piorar, um dia com água e dois sem", afirma Vieira. O Rio Batalha é responsável, hoje, por abastecer 32% dos bauruenses.

O rodízio começou mais cedo em 2021. No ano passado, foi a partir de 16 de setembro. Neste ano, o bauruense já encara o racionamento desde abril. "Nós adiantamos o rodízio porque a estiagem começou antes. Ano passado, tentamos abastecer normalmente até setembro, o que abaixou muito o nível da lagoa. Dessa vez, estamos conseguindo manter o nível mais aceitável", afirma Vieira.

Os números do Centro de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) mostram que de janeiro a julho deste ano Bauru acumulou 587,5 milímetros de chuva. Esse valor é 19,9% menor do que no mesmo período do ano passado, quando a marca registrada foi de 734 milímetros. Para José Carlos Figueiredo, meteorologista, a redução, apesar de expressiva, não foge do esperado para a época. "Nós temos ciclos no nosso clima, essas reduções acontecem. O que temos bem definido são duas estações: uma seca e uma chuvosa. Já faz 15 anos que nosso regime de chuvas não alcança a média anual, mas daqui a alguns isso pode mudar", afirma o pesquisador do IPMet.