Neste sábado não irei à cavalgada e vou adotar a sugestão do leitor João Gonçalves. Vou ficar em casa. Não estarei, também, esperando Lula ou Dória passarem por Bauru em uma outra possível caravana. Ficarei em casa refletindo sobre o caminho que percorremos para chegar onde estamos.
Não subi neste trem de autoritarismo e louvor à tortura. Um trem que destrói o meio ambiente e semeia desigualdade e fome. Que apita, como que sorrindo, quando centenas de milhares brasileiros morrem por uma pandemia que já deveria ter se arrefecido, caso a ciência fosse ouvida. Um trem que atropela a educação excluindo as minorias, os pobres e negros. Uma composição envelhecida de ideias que joga a economia em poço sem fundo, com inflação à espreita do salto.
Por não ter cavalo, mas saber como dominá-lo, faço um alerta aos bravos cavaleiros da massa pura, que são contra a corrupção e o comunismo, que querem ordem e progresso (não sei se alguns estarão vestidos com capuz e bata branca): cavalo não combina com asfalto. No asfalto eles escorregam e, com o cavaleiro, vão ao chão.
Ficarei em casa sim, aguardando a cavalgadura passar. E vai passar, como já previra Chico Buarque quando da outra tragédia que tivemos e que, imaginávamos, não voltaria. Estarei em casa, mas sairei um dia. Guimarães Rosa, em "Grande Sertão: Veredas", já preconizava: "O que tem de ser tem muita força, tem uma força enorme..."