Rio de Janeiro - A efetividade das vacinas AstraZeneca e CoronaVac cai entre os idosos com mais de 80 anos, como revela novo estudo divulgado nesta sexta-feira, 27, pela Fiocruz. Os cientistas avaliaram a eficácia dos imunizantes em 75.919.840 pessoas vacinadas no Brasil entre 18 de janeiro e 24 de julho deste ano. Isso não significa que as vacinas sejam ineficazes contra o vírus, mas pode haver uma queda de proteção ao longo do tempo e necessidade de reforço. Os resultados podem ser determinantes para o planejamento de políticas públicas de vacinação entre os mais velhos.
A pesquisa demonstrou que os dois imunizantes oferecem proteção contra casos moderados e graves de Covid-19 causados pelas novas variantes de preocupação em circulação. Ao avaliar os dados por faixa etária, no entanto, constatou-se uma redução na proteção com o aumento da idade. De 80 a 89 anos, a AstraZeneca tem um índice de proteção contra a morte de 89%. O da CoronaVac ficou em 67,2%. Acima dos 90 anos, os índices ficaram em 65,4% e 33,6%.
Coordenado por Manoel Barral-Netto, o trabalho foi publicado em preprint na MedRxiv, site que distribui versões pré-publicação de artigos científicos sobre saúde. Os resultados mostram que as duas vacinas são efetivas contra a infecção, hospitalização e óbito, considerando o esquema vacinal completo (duas doses): AstraZeneca, com 90% de proteção, e CoronaVac, com 75%.
"Já suspeitávamos da influência na idade na queda da efetividade, porque o mesmo ocorre com outras vacinas", afirmou Barral-Neto, pesquisador da Fiocruz-Bahia. "O que fizemos foi delimitar claramente esse ponto de declínio; a intenção é fornecer dados para embasar decisões dos gestores."