08 de julho de 2026
Geral

Frota não para de crescer e gargalos no trânsito se espalham por Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

O aumento populacional, a multiplicação de prédios residenciais e comerciais em áreas até então desocupadas e o crescimento constante da frota em Bauru impõem desafios à administração pública, que dispõe de poucos recursos e não consegue adequar a malha viária frente à expansão da cidade, antes de gargalos começarem a surgir. Pelo contrário, para os motoristas familiarizados com as ruas do município, estes são trechos já bastante conhecidos, sendo que alguns permanecem por décadas como um problema sem solução.

Na gaveta, a prefeitura conta com inúmeros projetos e propostas de soluções. Em 2020, inclusive, Bauru ganhou seu Plano de Mobilidade Urbana, que aponta alternativas para melhoria dos deslocamentos pelos próximos dez anos. O entrave, contudo, é que praticamente todas as boas saídas para aliviar a sobrecarga de vias mais críticas requer considerável volume de recursos, que não cabem no orçamento municipal.

Enquanto isso, a dinâmica de uma cidade com mais de 380 mil habitantes, como Bauru, faz com que antigos problemas se somem às novas demandas viárias que continuam a surgir. Para se ter ideia, somente nos últimos dez anos, o município ganhou 35 mil novos habitantes e 84,8 mil veículos. O crescimento da frota em uma década foi de 40%, totalizando 294.021 unidades em maio de 2021, segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

INTERVENÇÕES

Na história recente da cidade, quase sempre, obras só têm se tornado viáveis quando há investimento da iniciativa privada (leia mais abaixo), como é o caso da mudança no sistema viário do entorno da Praça Portugal e da conclusão da duplicação da avenida Affonso José Aiello, que dá acesso aos Villaggios. São duas intervenções que serão garantidas por contrapartidas de construtoras que possuem empreendimentos nestas áreas e que estão entre as dez principais alterações necessárias para desafogar o trânsito da cidade, conforme apontam especialistas ouvidos pelo JC (veja os detalhes no gráfico).

Mas outras, como a interligação da avenida Jorge Zaiden - às margens do Córrego Água Comprida, na região do Sambódromo - até a avenida Rodrigues Alves, na altura do Horto Florestal, ainda são desejos longe de saírem do papel. Outros exemplos são a construção de uma avenida paralela à rua Bernardino de Campos e à avenida Castelo Branco, margeando o Córrego Água do Sobrado, e o prolongamento da avenida Nuno de Assis, em direção à Vila Dutra, ao lado do Córrego da Grama, na Zona Oeste da cidade.

FUNDOS DE VALE

Não por acaso, são três projetos que aproveitariam os fundos de vale que cortam Bauru e que ajudariam a melhorar o tráfego entre bairros, criando novas alternativas viárias para desviar o trânsito da área mais central. "Historicamente, a cidade sempre foi pensada de forma radial, com ligações do Centro para os bairros. Por isso, hoje, temos uma deficiência na ligação entre bairros. Há uma série de vias a serem completadas para favorecer este deslocamento perimetral, mas que esbarram no custo, inclusive porque demandam desapropriações", pontua o secretário municipal de Planejamento (Seplan), Nilson Ghirardello.

O engenheiro Archimedes Raia Junior, especialista em segurança viária, também pondera os valores elevados que envolvem estas melhorias, mas frisa que os gestores precisam buscar investimentos, com planejamento para garantir fluidez ao tráfego no longo prazo. "Algumas intervenções, inclusive, como é o caso do prolongamento da avenida Nuno de Assis, seriam em áreas da União, que tem facilitado a transferência destes ativos para o município, desde que justificados por bons projetos", observa, salientando a necessidade de se investir, também, em modais mais sustentáveis, como o transporte coletivo e não motorizado, para oferecer mais alternativas de locomoção aos usuários.