O supervisor Juares Gonçalves, 65 anos, foi até a Unidade de Assistência Farmacêutica (UAF) Geisel Redentor tentar retirar uma caixa de Fenobarbital para a neta de oito anos, que sofre com convulsões, mas voltou para casa de mãos vazias. "Está em falta e não disseram quando vai ter. O jeito vai ser comprar, porque é esse remédio que ajuda a controlar os ataques dela", explica.
A situação é parecida com a de outros moradores ou pacientes na porta da UAF, que não conseguem retirar uma série de medicamentos que estão em falta. À pé, o aposentado Sebastião Norivaldo Alves, de 70 anos, foi até a unidade na esperança de conseguir uma caixa de carbonato de cálcio, mas também não conseguiu. Mancando, com desgaste no joelho direito, ele precisa do suplemento para não agravar o problema. "Disseram que não vão fornecer mais (o carbonato de cálcio), o jeito vai ser comprar. Mas é complicado porque a gente ganha pouco", diz o aposentado, que toma diariamente outros seis medicamentos.
O autônomo Elton Luiz Gobbi também conta que desde fevereiro não consegue retirar o carbonato de cálcio para a mãe, Dona Doraci, de 78 anos. "Ela precisa porque tem artrite e artrose. Se ficar sem, agrava o desgaste nos ossos, é um risco maior de ter uma fratura. Cada caixa custa R$ 60 e pra ela que é pensionista é um gasto que pesa no mês", afirma.
Na porta da unidade, a reportagem do JC também ouviu relatos de que medicamentos como Loratadina (para alergia) e Doxazosina (para tratamento da próstata) frequentemente também sofrem com desabastecimento. Todos eles constam na Relação Municipal de Medicamentos, cuja lista está disponível no site da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e são distribuídos gratuitamente. "Vim aqui pra ver se tem Doxazosina. Mês passado não tinha e tive que comprar. Não tem como interromper o tratamento", afirma o aposentado José Carvalho Bezerra, 60 anos.
SEM PRAZOS
A SMS informou que cerca 6% dos medicamentos da lista estão em falta. Hoje, Bauru conta com três farmácias da prefeitura e outras 12 unidades onde os pacientes podem retirar os medicamentos com receita médica. A Saúde informou que o Fenobarbital em gotas está em falta por conta de processos licitatórios desertos (quando não há interesse de nenhum fornecedor). O medicamento foi incluído em novo processo, mas a secretaria não informou o prazo para normalização. Em relação à Loratadina, a pasta disse que a Anvisa suspendeu os lotes do laboratório Vitamedic e que, por isso, está negociando com o fornecedor a substituição por outra marca do medicamento, também sem prazo previsto para normalização.
Em relação ao Carbonato de Cálcio, a secretaria disse que o suplemento teve "inúmeros problemas de desabastecimento nestes últimos anos", por isso decidiu excluí-lo da relação de medicamentos do município. Disse ainda que esse suplemento não será substituído.