10 de julho de 2026
Nacional

Fux cobra de líderes dedicação aos "problemas reais" do Brasil

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - Após o presidente Jair Bolsonaro incentivar a ida de milhares às ruas para pedir a retirada de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e a implantação do voto impresso, o presidente do STF, ministro Luiz Fux, cobrou das lideranças do País dedicação para resolver os "problemas reais" enfrentados pela população. Em pronunciamento sobre os atos de 7 de setembro, Fux citou os desafios impostos pela pandemia, pelo desemprego, pela inflação e pela crise hídrica, que ameaça a retomada econômica, como apontou o ministro.

DISCURSO DURO

Em discurso duro e esperado na abertura da sessão plenária, Fux dirigiu críticas contundentes à postura de Bolsonaro, afirmou que "ninguém fechará" a Corte e que a incitação à propagação de ódio contra o STF e ao descumprimento de decisões judiciais são práticas antidemocráticas, ilícitas e intoleráveis.

"Estejamos atentos a esses falsos profetas do patriotismo, que ignoram que democracias verdadeiras não admitem que se coloque o povo contra o povo, ou o povo contra suas instituições", afirmou Fux no primeiro pronunciamento após as manifestações de 7 de setembro.

No discurso, feito em nome de todos os ministros da Corte, Fux pediu que a população brasileira não "caia na tentação de narrativas fáceis e messiânicas que criam falsos inimigos da nação". "O verdadeiro patriota não fecha os olhos para os problemas reais e urgentes do país", disse o presidente da Corte.

A cobrança de Fux segue a linha de lideranças políticas e estudiosos que criticam Bolsonaro pela condução do enfrentamento a pandemia e de outras crises que assolam o País no momento. "Conclamo os líderes do nosso país a que se dediquem aos problemas reais que assolam o nosso povo: a pandemia, que ainda não acabou e já levou 580 mil vidas brasileiras; o desemprego, que conduz o cidadão ao limite da sobrevivência biológica; a inflação, que corrói a renda dos mais pobres; e a crise hídrica, que ameaça a nossa retomada econômica", afirmou o ministro.

A repercussão dos atos a favor de Bolsonaro e suas implicações também foi comentada pelos presidentes da Câmara e do Senado.