11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Bem-estar acima dos 40 anos motiva negócios

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 3 min

Em um País que teve um saldo de 2 milhões de empresas novas num ano de pandemia, segundo o Mapa de Empresas do governo federal, encontrar um nicho pouco explorado pode ser difícil. Se o público-alvo for mulher, acima dos 40 anos e estiver entrando na menopausa, no entanto, há duas notícias. A primeira: os números para esse mercado são promissores. Segunda: ele praticamente não existe e não tem concorrentes.

Um levantamento da Sociedade Norte-Americana de Menopausa estima que até 2025 mais de 1 bilhão de mulheres no mundo estarão na pós-menopausa (o período a partir de um ano após o fim do último ciclo menstrual). Considerando que a expectativa de vida da mulher no Brasil é de 80 anos, segundo o IBGE, é esperado que essa etapa corresponda a um terço da vida.

De olho nesses números, as empreendedoras Marcia Cunha, 38 anos, e Carla Moussall, de 32, criaram a Plenapausa, empresa com foco em ajudar quem está passando pelo climatério (o que, popularmente, conhecemos como menopausa, mas a menopausa tecnicamente corresponde apenas ao dia da última menstruação). A empresa surgiu a partir de uma pivotagem, ou seja, uma mudança no rumo do negócio, após um programa de aceleração.

"15% da população feminina brasileira está nas fases de pré e pós-menopausa, entre 40 a 64 anos de idade. São 34 milhões de mulheres e possíveis clientes. No mercado, fala-se muito da questão da menstruação e da fertilidade, mas a menopausa não é o fim. Eu comecei a fazer pesquisas e fui percebendo como é latente a desinformação sobre o tema e ficou claro que a primeira coisa que a gente deveria fazer era gerá-la", conta Márcia.

No Brasil, nas pesquisas feitas pela Plenapausa, as empreendedoras ouviram cerca de 100 mulheres no climatério: 41% não conhecem os sintomas da menopausa e apenas 15% procuram tratamento médico. Com as descobertas, criaram um serviço freemium - que começa gratuito e, ao longo do tempo, passa a incorporar serviços pagos - no qual a pessoa responde um formulário e recebe uma avaliação com o estágio da menopausa em que se encontra, dicas para o dia-a-dia e indicações do que fazer.

Até o momento, a empresa é mantida com capital próprio - o que propicia a avaliação gratuita -, mas o plano é que, ao atingir 300 questionários preenchidos, haja o lançamento de um produto ou serviço ainda em desenvolvimento. Até então, já foram feitas 200 avaliações na plataforma.

De acordo com um estudo feito pela Female Founders Fund (fundo de investimento de capital semente para empresas criadas por mulheres), em 2020, as oportunidades para o mercado mundial da menopausa giram em torno de US$ 600 bilhões. Dos US$ 254 milhões investidos em tecnologia para a saúde da mulher nos últimos dez anos, apenas 5% foram destinados a tratamentos para a menopausa, sendo a maior parte empregada em saúde reprodutiva e fertilidade.

Enquanto o Brasil ainda começa a explorar esse mercado, fora do País já existem startups se consolidando no segmento. No começo do mês, a norte-americana Elektra Health, comunidade de serviços para pessoas em menopausa, levantou US$ 3,75 milhões em capital semente. Já a britânica Vira Health, criadora do aplicativo Stella, que funciona como um assistente de saúde para a menopausa, arrecadou £ 1,5 milhão.