Nos últimos 12 meses, tomar café da manhã tem ficado cada dia mais caro. Segundo especialistas, por conta do combo formado pela inflação, estiagem prolongada e alta do dólar, os preços dos alimentos mais comuns na primeira refeição do dia, como pão francês, café, leite, muçarela, presunto e manteiga, ficaram mais 'salgados'. E a previsão é de que os valores continuem subindo. Diante deste cenário, proprietários de padarias de Bauru traçam estratégias para evitar afastar clientes (leia mais abaixo).
Os consumidores também se viram como podem para adaptar a refeição, considerada a mais importante do dia. É o caso da aposentada Sandra Mara Bulgarelli, de 62 anos, que precisou reduzir a frequência que consome queijo no café da manhã. "Eu adoro comer um queijinho, mas está muito caro. Tudo aumenta e o salário continua o mesmo. Então, tive que comprar menos. Hoje, como um pãozinho com manteiga. Tomar café da manhã está caro", reclama.
Mesmo doendo no bolso, muitos não conseguem ficar sem um pão quentinho logo cedo. É o caso da psicóloga Márcia Brito, de 61 anos. "Percebi que [o preço] aumentou bastante do começo do ano pra cá. Mas não abro mão de um pãozinho", comenta.
Um levantamento feito pela Associação Paulista de Supermercados (Apas), que analisou os valores desses itens nos últimos 12 meses no Estado de São Paulo (veja mais no quadro), confirma a percepção tanto de Sandra quanto de Márcia. Mesmo que os números não sejam referentes aos preços praticados pelas padarias, servem como um 'termômetro' para ilustrar o efeito que vem sentindo o consumidor final nas compras.
CAUSAS
Segundo a Apas, de julho de 2020 a julho de 2021, o pão francês teve um aumento de 9,70% no preço. O economista Carlos Sette explica que o valor do produto é influenciado principalmente pelo custo da farinha de trigo, que ficou 28% mais cara nos primeiros sete meses deste ano, provocando uma reação em cadeia.
"Como influência externa para o aumento, a gente considera que 70% da farinha de trigo consumida no Brasil é importada. Ou seja, sofre influência direta do dólar, que está muito alto. Já como influência interna, apontamos o período de seca, que dura vários meses. A estiagem atrapalha tanto o plantio quanto a colheita", analisa Sette.
Já a muçarela ficou 22,92% mais cara no mesmo período citado, acompanhada pelo leite longa vida (11,55%), presunto (23,47%), café em pó (15,25%) e manteiga (13,62%). "No caso dos laticínios, a alta também está influenciada pela falta de chuvas, já que, como o pasto rareia, as vacas produzem menos leite, aumentando o custo de seus derivados porque a demanda continua", explica o economista.
CONTINUAR SUBINDO
E a má notícia é que o preço desses alimentos deve continuar subindo. "Todos os aumentos também estão ligados à inflação oficial que está acumulada em torno de 5%, de janeiro a agosto deste ano, puxando todos os preços para cima. Só que, como esses produtos [de café da manhã] subiram muito mais do que 5%, indica que a inflação interna do setor foi maior do que a do País", finaliza Carlos Sette.