Completa um ano nesta quinta-feira (16) o incêndio de grandes proporções que castigou e destruiu grande parte da Estação Ecológica Sebastião Aleixo da Silva, conhecida como Estação Ecológica de Bauru (Esec). Mesmo após esse tempo, a Fundação Florestal (FF), órgão estadual responsável pela gestão da reserva, informa ainda calcular qual foi o real impacto ambiental na fauna e na flora do local, que ardeu em chamas durante três dias seguidos. Já o inquérito da Polícia Civil foi concluído no mês passado, apontando que o fogo realmente começou por conta da explosão de um transformador dentro da área de proteção (leia mais abaixo).
De acordo com a FF, foi possível constatar que o incêndio atingiu cerca de 70% dos 287 hectares desta área, a última remanescente de Mata Atlântica nativa na região administrativa de Bauru e da Bacia do Tietê-Batalha. Até então, a Esec, que foi criada em 1987, era considerada uma das mais importantes reservas do bioma no Estado, justamente por conta do seu alto nível de preservação. Para se ter uma ideia, a Estação abrigava 193 espécies de animais e 226 tipos de árvores, dentre eles, diversas espécies exóticas e ameaçadas de extinção.
CÁLCULO
Mesmo passado um ano, o Estado ainda afirma calcular quantas dessas espécies foram impactadas e quais delas serão capazes de sobreviver. "Realizamos o trabalho de monitoramento das áreas atingidas pelo incêndio e, após o período de análise, técnicos decidirão quais trechos demandarão restauração florestal. Contudo, é importante destacar que, um ano depois do fato, grande parte da área atingida já mostrou sinais de recuperação", declara o órgão, que é vinculado à Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente.
REFORÇO
Além disso, a FF diz ter, após o incidente, reforçado as equipes da região de Bauru com recursos para combate a incêndios.
"Enviamos equipamentos como veículos, motobombas, mochilas anti-incêndios e abafadores para auxílio no combate imediato aos focos, além da contratação de equipes de bombeiros civis equipados com veículos 4x4 e motobombas para combate a incêndios", completa, em nota.
VIGILÂNCIA
Mesmo assim, para o ambientalista Luiz Pires, por conta de sua importância ecológica, a Esec deveria contar com vigilância 24 horas para garantir efetividade no combate a chamas caso ocorra um novo incêndio e até mesmo para inibir possíveis caçadores.
"Apesar de, agora, o Estado ter uma vigilância própria, que cuida das reservas da região, não temos uma vigilância permanente na Esec. E o plano de manejo prevê isso, principalmente na época de seca. Para ter sucesso no combate de um incêndio florestal, é preciso apagá-lo antes que ele avance para a mata porque, como é muito fechada, fica difícil acessar com caminhão-pipa", diz Pires.
"Hoje, as equipes passam duas vezes por dia no local. É um intervalo muito grande. Se houver um incêndio, dependemos de vizinhos chamarem os bombeiros, como ocorreu ano passado, ou o fogo vai consumir a área até a vigilância passar, o que pode ser tarde", completa.
O ambientalista ainda chama atenção para o fato de que, ao contrário do Cerrado, que é mais comum na região e possui capacidade natural de se recuperar de queimadas, a Mata Atlântica possui baixíssima resistência ao fogo e pode levar décadas para se regenerar. "Temos que aumentar a preocupação. Se vier outro incêndio este ano ou nos próximos anos, a situação vai ser muito pior, porque vai queimar também aquilo que estava conseguindo se recuperar", conclui.