Ter com quem interagir, conversar e desabafar pode ajudar a evitar os efeitos do envelhecimento cerebral, como o declínio cognitivo, de acordo com um estudo da Universidade de Nova York (EUA). Os cientistas avaliaram a influência de uma rede de suporte na chamada resiliência cognitiva. As informações foram divulgadas pela Revista Galileu. O conceito usado mede a capacidade do cérebro de funcionar melhor do que seria esperado em determinada altura do envelhecimento físico ou em mudanças relacionadas a doenças cerebrais.
"Pensamos na resiliência cognitiva como um tampão para os efeitos do envelhecimento cerebral e da doença", diz Joel Salinas, professor de neurologia da universidade e autor principal do estudo, em comunicado: "Este estudo se soma a evidências crescentes de que as pessoas podem tomar medidas, seja para si mesmas ou para as pessoas com quem mais se importam", avalia o pesquisador.
Os resultados da pesquisa também abordam o Alzheimer, condição neurodegenerativa que compromete a memória, a linguagem e a capacidade de viver de maneira independente. De acordo com o estudo, praticar interações sociais de confiança pode ter bons resultados na prevenção da doença.
Embora o Alzheimer geralmente afete uma população mais velha, a investigação mostra que indivíduos entre 40 e 50 anos que não tenham pessoas com quem conversar apresentam uma idade cognitiva quatro anos mais velha do que aquelas que têm alta disponibilidade de ouvintes.
"Muitas vezes pensamos em como proteger nossa saúde cerebral quando somos muito mais velhos, depois de já termos perdido muito tempo décadas antes para construir e sustentar hábitos saudáveis para o cérebro", diz Salinas. Mas já é possível agir agora, perguntando a si mesmo e a seus entes queridos se realmente existe alguém disponível para conversar.