A Praça Portugal é um patrimônio urbanístico, ambiental e histórico da cidade de Bauru. Faz parte do conjunto de referências da colônia portuguesa, que para cá imigrou e teve importante papel no crescimento da cidade.
Situada no Jardim Estoril, bairro homônimo da antiga Freguesia do Estoril, na região metropolitana de Lisboa, é o ponto de partida da Avenida Comendador José da Silva Martha, homenagem à um dos mais longevos dirigentes da Associação Beneficente Portuguesa de Bauru, responsável dentre outros, pela fundação em 1914, do Hospital da Beneficência Portuguesa. A poucos metros, as referências lusitanas continuam com o Santuário Nossa Senhora de Fátima, com sua arquitetura modernista integrada às áreas verdes que sucedem desde a Praça Portugal. Por tudo isso a Praça Portugal é mais do que uma área verde, constitui-se para muitos bauruenses, uma legítima referência sentimental, e até cristã, com a bela Cruz de Portugal encimada no obelisco e a decoração natalina de tantos anos.
Mas, infelizmente, parece que tudo isso não faz o menor sentido para alguns dirigentes recentemente eleitos, caso da Prefeita Suéllen Rosim. Sem nada de relevante até o momento para entregar à população bauruense, nossa Prefeita parece ter sucumbido ao chamado fácil da obra sem dinheiro. Antes cabe uma ressalva, ninguém é contra que a iniciativa privada faça compensações de seus projetos com obras viárias. Ao contrário, é uma exigência legal, pois grandes empreendimentos trazem alterações no trânsito, e em toda vizinhança.
O que se espera de qualquer alcaide é um comportamento que contemple a cidade e todos os seus moradores, e não um grupo específico, caso da construtora e dos futuros novos moradores das torres no antigo terreno da Associação Luso Brasileira (outra referência lusitana). Melhorias viárias como a ligação entre as Avenidas Getúlio Vargas e Comendador Martha podem e devem ser feitas também pela desapropriação de prédios e quadras, sem afetar a praça, ouvindo a população.
O Movimento Popular Socialista - MPS - PSB Bauru, repudia a forma autoritária escolhida pela prefeita, que abdicou do protagonismo de dialogar com a cidade enquanto autoridade eleita, ao liderar um processo mal conduzido e cheio de vícios, e que, portanto, não deve prosperar.
Da cidade de Lins há um caso muito parecido, que pode ser um alento para nós bauruenses. Lá também a título de revitalização da Praça Dom Bosco, o ex-prefeito Edgar de Souza propôs praticamente a desconfiguração da praça, o que incluía até a criação de vagas para carros no lugar de árvores. Houve grande controversa, e o embargo da obra pela justiça, a partir de uma ação civil por um advogado.
Com forte apoio da sociedade e pressão jurídica, foi possível não apenas reverter a destruição, mas revitalizar e restaurar uma das praças mais belas da cidade de Lins. A Praça foi restaurada e valorizada, preservando o projeto original de 65 anos, quando da sua inauguração. A chave de ouro foi a reativação da fonte luminosa defronte à Igreja São João Bosco, desativada havia décadas, numa parceria entre Sabesp e Prefeitura, que restaurou a piscina e esculturas, bem como a troca total da parte elétrica e hidráulica.
Nesse sentido é muito bem-vinda a ação popular proposta pelo sr. Edilson Rodrigo Marciano. Mas a ação da Prefeitura em conjunto com a construtora foi tão violenta que fez surgir diversos grupos espontâneos de coletivos entre professores, estudantes e artistas, além dos moradores da região.
O Acampamento Levante Pelas Raízes é outra resposta da sociedade.