09 de julho de 2026
Articulistas

Qualidade de vida deveria ser o objetivo

Maria América Ferreira
| Tempo de leitura: 2 min

Qualquer pessoa com o mínimo de informação e que se propõe a administrar uma casa, uma empresa ou uma cidade deve ter em mente que o começo de tudo é traçar prioridades. Isso parece óbvio. E o que são prioridades? Teoricamente, são as ações que precisam ser adotadas de maneira imediata, para que o desenvolvimento do que se pretende no futuro, tenha um fluxo adequado.

No caso de uma cidade como Bauru, por exemplo, as prioridades que realmente interessam para a população, talvez não sejam as mesmas que agradam a administração pública. Independentemente de quem comanda a cidade, o foco deveria ser a população de toda a cidade. As parcerias com empresas, além de necessárias, deveriam dar conta de cobrir as principais necessidades e não desenvolver projetos gigantescos, cujo risco é 'estrangular' mais a cidade.

Salvo engano, a falta de água, a falta de manutenção das ruas, viadutos, tratamento de esgoto, iluminação pública, criação de emprego, coleta de lixo seletivo, e por aí vai, deveriam ser as prioridades para uma cidade que há muito não recebe os cuidados necessários para um desenvolvimento decente. Ninguém é contra desenvolvimento. É preciso saber à custa de quê isso vai ocorrer.

A polêmica da vez é a Praça Portugal. Foram extirpadas 51 árvores. A contrapartida para uma obra gigantesca é plantar 550 árvores pela cidade. Mas a cidade precisa de um milhão de árvores. Afinal, o clima está cada vez pior, justamente por conta da ação humana. É fácil sair passando um trator e derrubando tudo. Ah! Mas existem regras e estão sendo obedecidas. Regras criadas pela Administração Pública, há anos, e que devem ser cumpridas pela própria. No mínimo infantil. Isso não se trata de ser contra uma obra. Trata-se de uma cidade que precisa deslanchar de maneira coerente e com qualidade de vida à sua população.

No entanto, considerando todos os pontos, é tudo feito a tapa, para beneficiar uns poucos. E tudo sem esquecer que a Câmara de vereadores navega conforme a onda. As posições só aparecem depois da chiadeira e do estrago pronto. Cada um defende o seu lado. E esse é o preço que uma população inteira paga, por eleger os amigos do bairro, acreditando que isso é a solução. Se cada um defender o seu bairro, que às vezes nem isso acontece, a cidade vai continuar parada no tempo, e pior, amargando as dificuldades que serão cada vez maiores.

Um texto simplista, dirão alguns, para um assunto tão complicado. Realmente, mas é apenas um lado de uma trama maior. Administrar e manter uma cidade não é para leigos. E isso não é privilégio de Bauru. A maioria das cidades se arrasta de quatro em quatro anos porque a máquina pública 'engole' qualquer possibilidade de mudar o que convém a poucos.

A autora é jornalista, colabora com Opinião.