09 de julho de 2026
Política

Cohab refaz cálculos e diz que dívida de R$ 1,7 bilhão com a Caixa é bem menor

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 3 min

A nova diretoria da Cohab Bauru questiona o valor cobrado pela Caixa Federal como dívida acumulada nos últimos anos na relação entre ambas e tenta uma negociação com base em cálculos que vêm sendo refeitos pela própria Companhia. A Caixa cobra para 2022 um incremento de juros, moras e multas de cerca de R$ 90 milhões, mas os valores seriam bem inferiores, segundo a Cohab.

Durante apresentação da Lei Orçamentária Anual (LOA) para o ano que vem, realizada este mês, na Câmara Municipal, o diretor administrativo e financeiro da Cohab, Waldir Gobbi, apresentou as expectativas de arrecadação e despesas para 2022, considerando as projeções feitas até o final deste ano. De acordo com os números, a Cohab tem, em 2021, uma dívida bruta superior a R$ 1,7 bilhão, com créditos a compensar de aproximadamente R$ 1,4 bilhão, o que resultaria em uma dívida líquida de cerca de R$ 440 milhões. Os juros, moras e multas elevaram a dívida em R$ 90 milhões em 2021.

Porém, em entrevista ao programa Cidade 360º, Gobbi afirmou que os valores cobrados como dívida pela Caixa são irreais. Ele reconheceu que existe uma dívida resultante de valores não repassados ao banco em anos anteriores, por decisão exclusiva das diretorias à frente da Companhia. Mas que os valores são diferentes do cobrado.

NÃO QUESTIONADO

Os números que vêm sendo questionados agora eram aceitos por relatórios mensais enviados pelo banco e com anuência das diretorias à época, sem questionamentos. A partir de 2020, segundo Gobbi, a Caixa suspendeu o envio dos relatórios, o que levou a própria equipe financeira da Cohab a fazer os cálculos, chegando à diferença dos valores.

A atual gestão já fez reuniões com setores da Caixa responsáveis pela dívida e demonstrou interesse em negociar mediante a revisão dos cálculos. Quando a atual equipe financeira da Cohab fazia as contas para apresentar os valores, sob seu ponto de vista, cobranças de contratos passaram a ser judicializadas pela Caixa, o que paralisou o processo.

As diferenças identificadas entre os valores, de acordo com o diretor, estariam na contagem de juros sobre juros nas contas (conhecida como anatocismo) e nos critérios que a Caixa teria utilizando para o cálculo de créditos e débitos, que seriam diferentes e prejudiciais à Cohab.

POLÍTICA

Hoje, a cobrança da Caixa é sobre 94 contratos e a Cohab conseguiu analisar para sua defesa apenas oito. "Mas nestes processos apresentamos uma situação que é totalmente inversa ao que a Caixa está nos cobrando. A Caixa diz que devemos R$ 1 milhão e nós não devemos mais nada, é uma cobrança indevida", afirmou o diretor financeiro. Segundo ele, a análise de cada contrato leva cerca de duas semanas, o que pode prolongar este questionamento por um longo tempo. A não ser, de acordo com Gobbi, que haja uma intervenção política em Brasília, no sentido de destravar as negociações a judicialização de parte dos débitos.

A Cohab possui 6 mil contratos vigentes, por meio de pagamentos das parcelas.

A previsão do término destes contratos foi estimada entre 2028 e 2030. A arrecadação da Companhia tem queda anual entre 6% e 7%, devido à paralisação das construções e o vencimento dos contratos.