Nova York - O secretário-geral da Organização das Nações Unidos (ONU), António Guterres, de nacionalidade portuguesa, afirmou que o mundo vive uma divisão geopolítica cada vez mais evidente, inclusive na ação climática e distribuição das vacinas contra a Covid-19. "Os grandes poderes estão divididos e essa é uma situação dramática", disse em vídeo gravado. "Estamos indo na direção errada", disse Guterres.
Na mudança climática, por exemplo, ele pontuou que ainda estamos "longe do consenso" entre países desenvolvidos e em desenvolvimento para que o mundo alcance a neutralidade de carbono até 2050. "Estamos enfrentando um grande número de desafios dramáticos."
SEM CARVÃO
Na questão climática o presidente chinês Xi Jinping disse que Pequim se compromete a interromper a construção de usinas termelétricas de carvão no exterior, em um compromisso público de redirecionar a enorme indústria de engenharia do país para longe de se tornar uma fonte de poluição global. Pequim tem enfrentado pressão dos Estados Unidos, da União Europeia e de grupos ambientais por ter continuado a financiar e construir usinas termelétricas a carvão em muitos países em desenvolvimento, mesmo tendo dito que reduziria as emissões de gases de efeito estufa em seu próprio território.
O carvão é fundamental para a matriz energética da China, que é o maior produtor e consumidor mundial do recurso.
Os governos da Coreia do Sul e Japão fizeram promessas semelhantes de parar de construir usinas movidas a carvão em países em desenvolvimento, assim como vários grandes bancos comerciais e as principais instituições multilaterais dominadas pelos EUA.
VACINAÇÃO
No mesmo evento, o diretor-executivo da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, abordou a importância da vacinação contra a Covid-19. "Nossa melhor estratégia é distribuir vacinas pelo mundo, manter nossas medidas sanitárias e controlar o vírus No momento, não estamos no controle do coronavírus e precisamos fazer isso", disse.
Ryan reforçou a visão de que essa é uma pandemia entre os não vacinados. "Você vê isso nos EUA e na Europa. Precisamos que as pessoas se vacinem com as duas doses ou a dose única do imunizante", disse. Ryan ainda afirmou que "há vacinas o bastante para que consigamos dividi-las em uma maneira ainda mais sistemática" do que como tem sido feito.