11 de julho de 2026
Geral

Urbanista destaca que parque poderia ter sido melhor solução na Praça Portugal

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 3 min

O projeto viário que impactou a Praça Portugal segue sendo debatido em Bauru, mesmo que isso não tenha sido feito com a devido antecedência, reclamam especialistas e cidadãos. O próprio Poder Público reconhece que deveria ter detalhado mais o projeto à sociedade antes do início das obras que suprimiram 51 árvores. O urbanista Adalberto Retto Junior, professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Unesp de Bauru, que inclusive reside a poucos metros do local, reconhece que a situação na qual a praça se encontrava não era a ideal, do ponto de vista do trânsito, porém, a mudança com o atual projeto implantado não é satisfatório, além de ter gerado grande mal-estar na cidade.

O professor também é coordenador do curso de Especialização Internacional Planejamento Urbano e Políticas Públicas: urbanismo, paisagem, território. Adalberto Retto Junior, assim como outro especialista da área, o professor José Xaides Sampaio, compartilha da hipótese de que uma das soluções mais viáveis e menos agressivas ao meio ambiente local seria o conceito de praça-parque, que otimizaria o lazer público.

"A avenida Comendador José da Silva Martha, para quem sobe no sentido à avenida Getúlio Vargas, se depara com uma bifurcação antes de chegar na área da quadra poliesportiva da Praça Portugal. A pista da direita (de quem sobe), a Rubens Pagani, é muito acionada, mas a da esquerda tem pouco fluxo. A hipótese seria incorporar essa rua da esquerda à praça, alargando o espaço de lazer e implantando mais verde, com árvores, espaço para caminhada, corrida e área para passear com animais domésticos", comenta Adalberto Retto Junior.

Ele recorda que a Praça Portugal é muito utilizada para esportes e que poderia ser ainda mais. "Os jovens ficam até três horas da manhã jogando basquete ou futebol (futsal)", cita.

HIPÓTESE

Esta hipótese de praça-parque, segundo ele, apontada como opção mais qualitativa, seria também a solução mais barata, além de não polarizar a discussão. Neste modelo analisado pelo urbanista, a área teria seu conceito potencializado e atenderia mais demandas, não só as passagens de veículos.

O professor e urbanista acrescenta que a área de passagem de pedestres que corta a Praça Portugal, na qual já não existiam árvores, poderia ter sido utilizada para fazer ali uma rua para desafogar o trânsito. Ainda segundo ele, outras possibilidades que possibilitariam minimizar o estrago feito com relação à supressão de 51 árvores eram de a curva que contorna a praça, a partir da quadra 25 da Gustavo Maciel, ser mais próxima ao poço do DAE, deixando de ser em 90 graus, passando a ser um pouco mais curvilínea.

Mas não tão grande quanto o modelo atual que invade significativamente a Praça Portugal. E evitando ali, de acordo com Retto, a mini-pracinha proposta pela prefeitura, que não tem muita utilidade.

"A análise que fazemos da área é em vista a modificação para melhoria da fluidez do tráfego, em função da densificação, mas que não impactasse tanto outras funções do local. A Praça Portugal, por anos, é um espaço também para eventos, principalmente de Natal, mas também de exposições e feiras. Então o desenho atual apresentado pela prefeitura privilegia os automóveis. Ele peca pelo desmatamento para pouca solução", reitera o urbanista.

Ele frisa que acredita na construção de um desenho coletivo da cidade pública.

FALTOU CONSULTA

Adalberto Retto Junior atribui ainda ao grande ruído existente acerca desta questão o fato de o Poder Público não consultar a sociedade para avaliar um projeto urbano dessa envergadura. Tanto consulta pública quanto técnica. "Esta é uma das sete praças que possuem importância simbólica, com nomes homenageando nações imigrantes, e apontam para direções de crescimento da cidade", recorda.

ENXURRADA

Outro detalhe que o projeto atual da prefeitura não demonstrou se preocupar, de acordo com Adalberto Retto Junior, seria a criação de jardins de chuva, para contornar os pontos de enxurradas que colocam em risco pedestres, ciclistas e motociclistas no trecho de esquina da árvore seringueira, entre a Getúlio e a Gustavo Maciel.