10 de julho de 2026
Política

Secretário discorda de Retto e diz que projeto na Pça. Portugal é mais amplo


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Os comentários e a proposta alternativa sobre as intervenções na Praça Portugal e no trânsito do entorno, feitos na edição desta quinta-feira (23) do JC pelo arquiteto e urbanista Adalberto Retto Junior, geraram reações na cidade. Entre elas, a do secretário de Planejamento (Seplan) da Prefeitura de Bauru, Nilson Ghirardello, que discorda de vários pontos.

Segundo ele, a proposta apresentada por Retto é de caráter micro, vislumbra apenas o espaço da praça em si e sem relacioná-la ao entorno e às múltiplas questões urbanas necessárias para uma intervenção deste porte.

"Diferentemente dos estudos elaborados pelo departamento técnico da Secretaria de Planejamento, em conjunto com a Secretaria de Obras, Secretaria do Meio Ambiente (Semma), Emdurb e DAE, que envolveram dezenas de arquitetos e engenheiros e que se basearam em levantamentos técnicos como contagem de veículos, relatório de impacto de trânsito, identificação de conflitos e de dados sobre os acidentes no local, é uma proposta superficial", afirma Ghirardello, sobre as avaliações de Retto.

Na visão do secretário, o estudo do arquiteto transforma a praça em uma "ilha" de difícil acesso aos pedestres, com veículos circulando em todo redor, pois leva para a rua Rubens Pagani uma grande quantidade de automóveis originados da extinção de uma das mãos da avenida Comendador Martha. A rua estreita, que é coletora e não arterial, não teria capacidade de comportar tal demanda, gerando conflitos ainda maiores do que os já existentes.

"[A proposta de Retto] desconsidera os problemas relativos aos acessos dos imóveis na rua Rubens Pagani, onde se encontram uma escola e bancos (crianças, jovens e pessoas de mais idade), causando incompatibilidade com os usos atuais", acrescenta o Ghirardello.

Ele destaca ainda que grande parte do trânsito vindo da avenida Comendador da Silva Martha confluiria para o cruzamento da avenida Getúlio Vargas, ampliando os conflitos ali existentes. E, segundo o secretário, não seriam resolvidos os problemas atuais de entrelaçamento (cruzamento) de veículos originários da Getúlio Vargas, Rubens Pagani e Gustavo Maciel, que geram acidentes.

Ghirardello prossegue em seu contraponto: "Permaneceriam [pelo estudo de Retto] os problemas de prioridade de conversão dos veículos oriundos da rua Rio Branco com a rua Vivaldo Guimarães, que atualmente causam transtornos à população que por ali circula. A ampliação do raio de curva, sugerido para a conversão da rua Gustavo Maciel em direção à rua Vivaldo Guimarães, iria prejudicar ainda mais o entrelaçamento (cruzamento) apontado acima. Mesmo com um raio menor, seria necessária a supressão de diversas árvores para que tivesse o mínimo de eficiência".

LEGALIZADO

Ainda em relação aos fatos mais recentes noticiados sobre a Praça Portugal, o titular da Seplan reafirma que todos os trâmites legais foram seguidos. "Todos os documentos solicitados pela Justiça estão sendo entregues. A supressão das árvores, necessária para a abertura do novo trecho viário, terá a compensação ambiental com o plantio de 555 mudas, conforme projeto desenvolvido na Semma, pasta que fará o plantio das mudas na Praça Portugal e em áreas verdes das proximidades. Além disso, o atual projeto tem um impacto menor para o meio ambiente do que aquele desenvolvido no governo anterior, no qual estava prevista a supressão de árvores na avenida Comendador Martha e a retirada do monumento que homenageia a colônia portuguesa, na rotatória que fica no eixo da rua Rio Branco. O projeto que está sendo implantado mantém este monumento, e fecha uma quadra da rua Vivaldo Guimarães, que passará a ser área verde", complementa.

Ghirardello acrescenta que o projeto em execução também considera a proposta inicial da praça, que já previa a ligação entre as avenidas Getúlio Vargas e Comendador Martha, o que vai ainda trazer mais segurança aos pedestres.

"A Prefeitura de Bauru, através da assessoria de comunicação, deu ampla divulgação ao projeto final, em matéria enviada para a imprensa no dia 19 de agosto, com a publicação no site da prefeitura, inclusive com o desenho do projeto, dando assim transparência e permitindo que todos os interessados tivessem conhecimento de que a praça teria intervenções, que seguiram toda a legalidade, procurando equilibrar o desenvolvimento econômico, a solução para o sistema viário, e o meio ambiente", finaliza o secretário.