O baixo aproveitamento do Corinthians na Neo Química Arena e a irregularidade da equipe no Brasileirão não são os únicos componentes negativos que pressionam Sylvinho no cargo. Antes do clássico com o Palmeiras, neste sábado (25), às 19h, pela 22ª rodada, o treinador é assombrado pelo histórico recente de demissões de técnicos corintianos após reveses no dérbi.
Nos últimos cinco anos, o Palmeiras provocou a queda de Cristóvão Borges (2016), Tiago Nunes (2020) e Vagner Mancini (2021). E as dispensas têm em comum o fato de terem acontecido após derrotas pelo mesmo placar (2 a 0) e no mesmo local, a Neo Química Arena.
Na história, o Palmeiras foi responsável por nove demissões de treinadores no arquirrival. Antes de Borges, Nunes e Mancini, foram substituídos após clássicos: Newton Senra (1951), Roberto Belangero (1964), Zezé Moreira (1967), Rubens Minelli (1986), Jair Pereira (1994) e Oswaldo de Oliveira (2000).
Na relação também são considerados treinadores que encerraram seus compromissos após finais de temporada, caso de Jair Pereira, que não permaneceu no cargo após o jogo derradeiro de 1994, o empate em 1 a 1 que garantiu ao Palmeiras o título do Brasileirão daquele ano.
E Sylvinho pode ser o décimo comandante corintiano a perder o emprego após um resultado negativo no dérbi. O treinador está pressionado porque não conseguiu fazer o time engrenar ainda com os reforços de peso que recebeu, embora o quarteto com Renato Augusto, Giuliano, Roger Guedes e Willian ainda não tenha jogado junto. Isso deve acontecer neste sábado diante do Palmeiras.
ABEL PRESTIGIADO
A lista de treinadores demitidos pelo Palmeiras em consequência de um clássico com o Corinthians é maior. Na história, 12 técnicos foram para a "guilhotina" depois de um duelo contra o maior oponente, mas o último deles faz tempo. Foi Olegário Toloi, o Dudu, em 1991. Ele foi substituído por Paulo César Carpegiani, após um empate em 0 a 0 com o arquirrival, no dia 17 de março de 1991, pelo Campeonato Brasileiro daquele ano. Os outros da lista são Emerson Leão (1989), Telê Santana (1980), Filpo Nuñez (1969), Silvio Pirillo (1964), Ventura Cambon (1956) e Felix Magno (1948).
Abel Ferreira goza de prestígio com a diretoria do Palmeiras. Embora, sob seu comando, o time tenha perdido as três finais que disputou nesta temporada e amargado o vexame de ser eliminado na terceira fase da Copa do Brasil, foi muitos graças ao trabalho do português que a equipe voltou a ser campeã da Libertadores depois de 21 anos e ganhou o quarto troféu da Copa do Brasil. As cobranças nesta temporada, pelos resultados, e até pelo desempenho, são consideravelmente maiores do que as que o português sofreu no ano passado. Mas a equipe está nas semifinais da Libertadores e é vice-líder do Brasileirão. Esse cenário apresentado indica que não há qualquer risco de o português ser demitido mesmo em caso de revés em Itaquera.
ESCALAÇÕES
Para mudar o cenário e fazer com que o Corinthians vença o primeiro clássico sob seu comando, Sylvinho deve escalar pela primeira vez desde o começo o quarteto de reforços que tanto empolga a torcida. Giuliano, Renato Augusto, Willian e Roger Guedes treinaram juntos e é provável que sejam titulares neste sábado na Neo Química Arena. Com isso, Jô deve perder a posição para o jovem Gabriel Pereira. No meio, a tendência é de que Cantillo seja escolhido para a vaga de Gabriel, suspenso. Xavier seria o substituto imediato do volante, mas Sylvinho planeja apostar numa equipe mais rápida para acabar com o jejum de três partidas sem vitórias no Brasileirão. Apesar de não perder há sete partidas, o time empatou as últimas três, todas por 1 a 1, diante de Juventude, Atlético-GO e América-MG.
Já Abel pode poupar peças importantes pensando na partida mais decisiva da temporada, valendo vaga à final da Libertadores, terça-feira que vem, contra o Atlético-MG, no Mineirão. Mas como trata-se de um dérbi, é improvável que ele escale uma formação muito modificada, alternativa. Irá com o que considera ter de melhor, com possíveis mudanças por desgaste físico. Quem está bem vai jogar.