10 de julho de 2026
Geral

Para especialista, modelo ideal é de usina que converte rejeito em energia

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

A Prefeitura de Bauru analisa incluir no projeto de concessão da gestão dos resíduos sólidos da cidade a implantação de uma usina, que teria capacidade de aproveitar 100% dos rejeitos orgânicos, sem necessidade de continuar destinando lixo para um aterro sanitário. A tecnologia promete transformar os resíduos em energia limpa, com menor custo para o município, menor impacto ambiental e a possibilidade de incorporar trabalhadores das cooperativas em seu quadro de funcionários.

A proposta, ainda embrionária, carece de discussão ampla, mas é considerada alternativa viável por alguns especialistas, entre eles o engenheiro agrônomo Aloisio Costa Sampaio, membro do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Comdema) e da diretoria da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag).

Também professor do Departamento de Biologia da Unesp, Sampaio esteve nesta última semana em Ourinhos, junto com o diretor do Departamento de Ações e Recursos Ambientais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Sidnei Rodrigues, para conhecer o projeto piloto de usina de resíduos sólidos urbanos da startup RSU Brasil, instalada no Centro Universitário das Faculdades Integradas de Ourinhos.

Segundo o engenheiro, a usina contaria com uma central de triagem semiautomatizada para separação dos materiais recicláveis descartados com o lixo orgânico, que seriam posteriormente comercializados pela empresa. Já a matéria orgânica passaria por um processo de desidratação e tritura, até se transformar em biomassa, que seria aproveitada para gerar energia.

"Na combustão para gerar energia, precisaria haver um sistema de filtragem de particulados aprovado pela Cetesb. Então, a energia seria transmitida para a rede da CPFL. É uma tecnologia que a própria RSU desenvolveu e patenteou", comenta Sampaio.

'PERDA ZERO'

Todo o processo deixaria um volume de cinzas equivalente a 5% até 10% do total do lixo processado, que poderiam ser utilizadas para produção de sub-base asfáltica ou de bloquetes. "Ou seja, nada é perdido", frisa.

Segundo Sidnei Rodrigues, podas de árvores e capinação, assim como resíduos volumosos, a exemplo de pedaços de móveis e madeiras, também poderiam ser processados da mesma forma. Ele destaca, contudo, a necessidade de prosseguir com as discussões a fim de que haja segurança para propor um modelo tecnológico como este e lembra que a futura concessão irá ocorrer dentro dos trâmites legais previstos, por meio de concorrência com participação de todas as empresas interessadas.

400 TONELADAS DIÁRIAS

O professor da Unesp explica que a empresa informou ter condições de processar 400 toneladas de resíduos ao dia, volume próximo ao que é gerado por Bauru. "Eles estão, aliás, com uma planta de porte semelhante em processo de licenciamento ambiental em Brasília, para atender um consórcio da iniciativa privada de grandes geradores de resíduos", acrescenta.

CUSTOS

Ao todo, a usina teria potencial para gerar 100 empregos, com possibilidade de prever em edital a inclusão obrigatória de integrantes de cooperativas da cidade no quadro de pessoal. "O custo da implantação, estimado em R$ 87 milhões, seria assumido pela empresa, que é financiada por um fundo de investimento alemão", frisa Sampaio.

De acordo com Rodrigues, a instalação ocorreria cerca de um ano e meio depois de concluída a concessão e de a empresa vencedora obter o licenciamento ambiental da área. O custo proposto é de R$ 65,00 por tonelada de lixo processado, inferior aos R$ 98,00 por tonelada pagos à empresa que hoje faz a disposição final do lixo no aterro de Piratininga.

Neste formato, as coletas de lixo orgânico e seletiva continuariam sob responsabilidade da Emdurb, sendo os materiais recicláveis destinados, como ocorre hoje, à Ascam. "E a projeção é de que, com este modelo, o morador possa pagar uma taxa de lixo muito menor do que a proposta agora. Ou seja, todos têm a ganhar", finaliza Sampaio.