Brasília - Mais do que aproveitar as atenções do mundo para as questões sustentáveis e tentar melhorar a imagem do País no Exterior, o Brasil quer ser um ator ativo da Conferência do Clima. Para isso, começou a se aproximar previamente dos demais participantes para costurar um papel proeminente no evento, depois de deixar não tão boas recordações na edição espanhola de 2019. A COP26 está marcada para novembro deste ano, em Glasgow (Escócia).
O chefe da delegação brasileira, a maior prevista para eventos deste tipo, é o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite. Ele explicou que pretende falar antes da COP com cerca de 70 representantes dos demais países participantes - no total são 194.
Até agora, discutiu com 40 deles e, em Nova York, onde acompanhou o presidente Jair Bolsonaro discursar na Assembleia Geral da ONU. O ministro argumentou aos Estados Unidos e ao Reino Unido que, pelo fato de o País ser geopoliticamente neutro, tem condições de angariar mais aliados do que as duas grandes economias mundiais.
Um dos pontos principais na Conferência será a determinação das normas mínimas para que haja um mercado mandatório de carbono global. O Brasil pretende estar em lugar de destaque para definir como serão essas regras.
Para Leite, os modelos existentes nos mercados voluntários da Califórnia e na Europa são boas referências a serem levadas em conta na formulação do modelo. "A ideia é que a gente chegue de forma melhor do que foi 2019", comparou. Naquele ano, não houve consenso sobre como as regras deveriam ser estipuladas e o Brasil foi apontado como um dos responsáveis para que não se chegasse a um acordo. "Pelo Brasil, vai acontecer. Do nosso lado, sai. Faltam os 193 demais países toparem", comentou.
ANÚNCIOS DE MEDIDAS
Para além da atuação externa, o governo pretende fazer do evento um palco de anúncios de medidas que foram ou serão aplicadas no País na área verde. Antes mesmo da COP, Leite disse que serão divulgados os primeiros detalhes do plano de neutralidade climática brasileiro para 2050.
Pressionado pela comunidade internacional, em abril, durante a Cúpula de Líderes sobre o Clima organizada pelo presidente norte-americano Joe Biden, Bolsonaro antecipou em 10 anos o prazo para neutralizar as emissões de gases de efeito estufa pelo País.
Apesar de a proposta ter sido bem recebida, há dúvidas sobre como o Brasil trabalharia nessa direção, já que as medidas que serão adotadas para tal, até agora, não foram reveladas.