10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Padre Anchieta, Paulo Freire e o Ministério da Educação

Rodrigo Pereira Lira Alexandre - Professor de História da rede municipal e da rede estadual de ensino.
| Tempo de leitura: 3 min

Nesse ano de 2021, vários embustes e embates de cunho político têm tomado conta da sociedade em todos os aspectos. As pessoas já estão se antecipando e adiantando as eleições do ano que vem, inclusive com manifestações nas ruas e nas redes sociais, fazendo a defesa de candidatos da 1ª , 2ª e agora até da 3ª via. Tudo agora virou motivo para ranço e escaramuças, qualquer assunto, tema ou até mesmo conversa de boteco, ganha teor político, assuntos como vacinação, jogos olímpicos, talibãs e até mesmo a seleção brasileira de futebol já foram usados nessa bipolarização política. Claro que o centenário do patrono da educação brasileira não iria passar em branco. Amado por uns e odiado por outros, a questão Paulofreiriana sacudiu as redes sociais e os meios de comunicação das últimas semanas, inclusive, teve até deputado governista tentando substituir o patronato de Paulo Freire, transferindo-o para o padre jesuíta e seiscentista José de Anchieta. A alegação do tal deputado é que José de Anchieta foi o primeiro educador a defender o oprimido no Brasil, no caso, se referindo ao indígena que lutava contra a escravização colonial.

Mas para fins de contextualização e esclarecimento histórico, devo ressaltar que apesar da linda história do Padre Anchieta, que para quem não sabe, chegou ao Brasil em 1553, na terceira leva de missionários jesuítas que vieram com a árdua missão de cristianizar os indígenas. José de Anchieta acabou fazendo um excelente trabalho para sua época e foi além, escreveu vários livros e poemas, peças de teatro, ajudou a fundar cidades, foi um dos criadores da literatura brasileira e por conta de tantos feitos memoráveis, acabou sendo canonizado em 2014 pelo papa Francisco, entrando até para o panteão dos heróis nacionais do Brasil. Mas peço a atenção de vocês, caros leitores, para que atentem-se ao modelo educacional escolar na época da colonização portuguesa no Brasil utilizado por Anchieta. Era um modelo educacional que em meados do século XVI já era ultrapassado, isso mesmo caro leitor, José de Anchieta trouxe para o Brasil um modelo de educação ultrapassado, e que há muitos anos já não servia mais para a Europa. Europa esta que já se encantava com a metodologia científica e crítica do Renascimento e com a liberdade de pensamento ocasionado com a Reforma Protestante de Martinho Lutero. O que não era mais aceito no Velho Mundo por ser ultrapassado, chegou ao Brasil como algo novo e revolucionário.

Por conta do seu viés marxista, a pedagogia do oprimido pregada por Paulo Freire é utilizada em 80% das escolas brasileiras, incomodando conservadores e Terraplanistas adeptos do bolsonarismo. Nesse atual governo, o tema educação não é prioridade, prova disso são os ministros que passaram por tal importante e estimada pasta. O ministro de número 1, o senhor Ricardo Vélez, queria obrigar que as escolas tocassem o Hino Nacional e chegou a pedir aos alunos para que filmassem os professores que se recusassem a cantar o Hino. Já o senhor Abraham Weintraub, ministro da educação de número 2, disse que gastaria todas as suas forças para acabar com os cursos de Ciências Humanas, cursos que são responsáveis pela formação crítica dos alunos. E agora vemos o atual ministro da educação, senhor Milton Ribeiro, dizendo que a inclusão de alunos especiais em escolas regulares não funciona no Brasil, que aluno especial atrapalha a o professor e a classe. Mas o que devemos esperar desses ministros? Pois o chefe deles, o presidente da Nação, discursa no cercadinho dele dizendo para quem quiser ouvir em alto e bom som, que professor em excesso atrapalha a educação.

Aos patetas do Ministério da Educação, que fraudam certificados e diplomas acadêmicos, Paulo Freire é estudado nas principais universidades do mundo, como Havard, Oxford, Stanford e Cambridge. A obra de Paulo Freire já foi traduzida em mais de 20 idiomas.

Que no bicentenário de Paulo Freire, o cenário seja outro, assim como a sociedade e seus políticos. Viva Paulo Freire, o patrono da educação do Brasil!