Segundo Luis Felipe Amaral, da Equitas, em um cenário em que as mudanças nas premissas macroeconômicas ocorrem cada vez mais rápido, é preciso ir além das métricas tradicionais de mercado para conseguir avaliar de maneira adequada se uma ação está cara ou barata. "Tem investidor que se apega demais aos múltiplos."
Paolo Di Sora, da RPS Capital, afirma que também vê com bons olhos o setor de petróleo, frente ao processo de reabertura que parece que vem ganhando força em diversos países de maneira mais firme.
No entanto, ele diz que, dado o risco político intrínseco ao papel de uma empresa estatal como a Petrobras, prefere se posicionar na tese através de companhias de controle privado, como a PetroReconcavo, que abriu capital em maio de 2021.
Também no campo das commodities, Di Sora aponta JBS como uma das ações preferidas no portfólio. Ele diz ainda que a redução na produção e na oferta de aço e alumínio sinalizada pela China pode beneficiar empresas produtoras no Brasil, como CBA, Gerdau e Usiminas.
Nesse caso, porém, o diretor de investimentos assinala que é preciso ter atenção com o risco da crise hídrica, que pode impactar os custos para as produtoras de commodities pelo aumento no preço da energia.
Por conta disso, ele diz que prefere se expor ao tema em ações globais, como da ArcelorMittal e da Ternium. Esses papéis podem ser encontrados na B3 por meio dos BDRs (Brazilian Depositary Receipts), ativos negociados na Bolsa local expostos à variação do dólar e que replicam a performance de empresas estrangeiras.
Em um ambiente no qual a inflação deve seguir alta, Di Sora afirma ser importante que o investidor busque exposição a nomes que ofereçam alguma proteção contra esse risco. O gestor afirma que o setor de supermercados é um deles, tendo papéis da rede Assaí na carteira.
Na gestora Frontier Capital, o diretor de investimentos Rodrigo Fonseca afirma que também aproveitou o recente aumento na volatilidade da Bolsa para aumentar a posição em nomes já em carteira considerados de caráter mais defensivo.
Entre eles, Fonseca destaca papéis da SLC Agrícola e da Cesp. Ele lembra que a produtora de commodities tem boa parte da receita voltada ao mercado externo, vinculada, portanto, à variação do dólar, com características de maior proteção para compor a carteira em um cenário doméstico mais volátil.
"O Brasil já tem uma vantagem competitiva no setor agrícola, e a SLC tem ainda diferenciais em relação aos concorrentes", diz o diretor da Frontier Capital.
No caso da empresa de energia elétrica, apesar do risco trazido pela crise hídrica, a avaliação é a de que os níveis atuais em que negociam as ações representam uma boa oportunidade de entrada.
Além disso, ele diz que uma indenização relativa a investimentos feitos anos atrás na usina hidrelétrica Três Irmãos (SP) parece estar se encaminhando para uma resolução, com alto potencial de destravar valor para a companhia de energia.
"Vemos um ambiente para os próximos meses com bastante risco, mas achamos também que parte desses riscos já foi precificado pelo mercado", afirma Fonseca.
De toda forma, ele diz também que, frente às incertezas, optou por reduzir a exposição em papéis da categoria small caps, que são aqueles de menor capitalização e liquidez. Em dias de maior turbulência na Bolsa, são essas as ações que tendem a sofrer mais do que a média, diz o diretor de investimentos.
Em todo caso, ações com essas características, mas com perspectivas vistas ainda como bastante positivas, seguem no portfólio. Entre elas, estão as da Mills Solaris, de aluguel de plataformas de elevação utilizadas na construção civil, e da GPS, especializada no fornecimento de mão-de-obra terceirizada no setor de serviços.
"Para os próximos 12 meses, que é uma janela mais de curto prazo quando consideramos o investimento em ações, é muito difícil fazer qualquer previsão. Mas sob uma ótica de longo prazo, sabemos que o Brasil nunca vai virar uma Venezuela e tampouco os Estados Unidos", diz Fonseca.