10 de julho de 2026
Geral

DAE promete ações emergenciais para amenizar falta d'água e espera chuva

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

A crise hídrica enfrentada em Bauru, que tem gerado falta de água nas torneiras até mesmo nos dias em que o abastecimento está previsto, levou o DAE a tentar algumas medidas emergenciais para minimizar os impactos do problema na vida da população. Enquanto espera chuva com a chegada da primeira frente fria da primavera (leia mais abaixo), uma das ações da autarquia será ampliar o número de caminhões-pipa para atender os diversos chamados que tem recebido diariamente para levar água aos bairros que deveriam ser abastecidos pelo Rio Batalha.

Segundo o presidente do DAE, Marcos Saraiva, o departamento aumentou de cinco para sete o número de caminhões-pipa em circulação nesta semana, depois que dois veículos que estavam em manutenção voltaram a operar. Já nesta quarta-feira (29), outro caminhão, emprestado por uma empresa privada, também será adicionado à frota.

E, na próxima segunda-feira (4), irá alugar, por meio de pregão eletrônico, mais cinco caminhões-pipa, com previsão de começarem a entregar água aos moradores daqui a aproximadamente dez dias. A medida visa dar conta da demanda crescente de pedidos, visto que a população tem se queixado de dificuldade até mesmo para formalizar as solicitações pelo 0800 do DAE. Para se ter ideia, apenas nesta terça-feira, a autarquia havia registrado 139 solicitações até as 17h.

"Infelizmente, estamos atravessando uma crise hídrica muito séria. Para se ter ideia, de janeiro a setembro deste ano, choveu 616 milímetros em Bauru, sendo que, no mesmo período de 2020, choveu 811 milímetros. O volume deste ano é menor do que tivemos na crise hídrica de 2014, quando choveu 679 milímetros nos nove primeiros meses do ano", argumenta. Com a estiagem prolongada, nesta terça (28), o nível da Lagoa de Captação do Batalha seguia baixo, em 2,51 metros, sendo que o patamar considerado ideal é 3,20 metros.

REATIVAÇÃO DE POÇOS

"Por isso, outra medida será fazer, amanhã (hoje), algumas interligações nos Altos da Cidade para dar um reforço de rede, para que a água chegue com mais pressão nesta região, que é crítica por ficar na parte alta da cidade e acaba ficando sem água nos dias em que deveria receber", detalha Saraiva.

O DAE também segue com os trabalhos de perfuração do poço do Jardim Infante Dom Henrique e deve iniciar em breve a perfuração de outro na Vila Alto Paraíso, mas que não ficará pronto antes da chegada do período de chuvas. Além disso, há previsão para reativar, dentro de 15 dias, o poços Nova Esperança e Consolação (na Bela Vista), que estavam inoperantes.

"Eles são poços pequenos, que foram desativados porque outros maiores foram abertos ao lado. Mas, na situação em que estamos, eles são importantes. Só precisamos alugar um compressor em caráter de emergência para fazer limpeza", pontua o presidente do DAE.

Já o Poço da Praça Portugal, paralisado por falha mecânica na bomba dias após sua inauguração, há mais de 40 dias, não tem previsão para ser reativado, já que também ficou constatado defeito de fabricação no isolamento elétrico dos cabos, que precisarão ser trocados.

VAZAMENTOS

Segundo Saraiva, nos últimos cinco meses, a autarquia também tem trabalhado para eliminar vazamentos na cidade, considerando que eles são os principais responsáveis pelas perdas de água na rede de distribuição. Ele afirma que, em abril, eram 438 vazamentos visíveis e, hoje, restam 76 sem reparo.

Com isso, ainda de acordo com o presidente do DAE, o índice total de perdas, considerando, vazamentos visíveis e invisíveis, ligações clandestinas e leitura defasada feita por hidrômetros antigos, pode ter caído dos 48% estimados em 2020 para cerca de 28% agora. O percentual exato, contudo, só deve ser confirmado nas próximas semanas.

Porém, mesmo com essa eventual queda, o desperdício anual ainda chegaria a aproximadamente 13,3 bilhões de litros de água no ano, volume que seria suficiente para garantir água nas torneiras de 80 mil moradores em 12 meses. Ao todo, Bauru produz 47,4 bilhões de litros anualmente, somando toda a água captada do Rio Batalha e dos poços.