São Paulo - O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado americano, senador Bob Menendez, e outros três senadores enviaram nesta terça-feira (28) uma carta instando o governo Biden a deixar claro para o presidente Jair Bolsonaro que qualquer ruptura democrática no Brasil "terá sérias consequências". Na missiva enviada ao secretário de Estado, Antony Blinken, os senadores advertem que Bolsonaro vem fazendo ameaças de rompimento da ordem constitucional no Brasil, usa linguagem "irresponsável" e gestos de intimidação contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
"Dado que o Brasil é uma das maiores democracias e economias do mundo e um dos principais aliados dos EUA na região, a deterioração da democracia brasileira tem implicações no hemisfério e além", dizem os senadores na carta a que a reportagem teve acesso. "Instamos o senhor a deixar claro que os EUA apoiam as instituições democráticas brasileiras e que qualquer ruptura antidemocrática terá sérias consequências."
QUEM ASSINA
Menendez é um moderado bastante respeitado em Washington e, à frente da Comissão de Relações Exteriores, tem grande influência sobre a política externa americana. Além dele, assinam a carta os senadores democratas Dick Durbin, Ben Cardin e Sherrod Brown.
Na carta, o líder democrata afirma que o Brasil deveria ser "um baluarte contra atores não democráticos, de China e Rússia a Cuba e Venezuela", que tentam solapar a estabilidade democrática em nosso hemisfério". "Uma disrupção à ordem constitucional seria uma ameaça à base dessa relação bilateral", continuam.
O Brasil precisa do apoio do governo americano para ser o próximo candidato à acessão à OCDE, o chamado clube dos países ricos. Entrar na OCDE é uma das prioridades de Bolsonaro.