10 de julho de 2026
Política

Jovens da Fundação Casa terão chance de reinserção após cumprir as medidas

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 2 min

O Governo do Estado de São Paulo pretende iniciar em novembro um programa de reinserção social para jovens e adolescentes egressos da Fundação Casa, com o objetivo de reduzir a reentrada na própria Fundação ou ingresso no sistema prisional. A Fundação Casa é vinculada à Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania e seu secretário, Fernando José da Costa, falou deste e de outros projetos, em entrevista exclusiva ao Jornal da Cidade nesta quarta (29). Ele também concederá entrevista hoje (30) ao programa Cidade 360º, do JC/JCNET e 96FM.

Segundo o secretário, o programa oferece oportunidades de capacitação, emprego e orientação que impactam de forma definitiva na vida dos jovens. "Sem essas orientações, a chance de retornarem para a Fundação ou sistema prisional são significativas, por falta de oportunidades", diz.

Lançado em agosto, o programa está em fase de avaliação das propostas enviadas por Organizações da Sociedade Civil (OSC).

Pelo edital, a organização vencedora será responsável por prestar serviços de triagem; sensibilização; monitoramento da permanência do ensino formal; encaminhar para ensino profissionalizante e vagas de trabalho, e monitorar o processo de adaptação ao emprego por seis meses. Jovens nesta faixa etária podem atuar em estágios, aprendizagens ou programa do governo, desde que remunerados.

INVESTIMENTO GERA ECONOMIA AO ESTADO

Ainda segundo o programa, a organização contratada terá que cumprir metas de encaminhamento dos jovens atendidos. "Capacitar todos, levar cada jovem a pelo menos três entrevistas de emprego e conseguir que, ao menos, a metade deles seja empregada. Daqueles que conseguirem emprego, ao menos 50% devem continuar trabalhando nos seis primeiros meses. O período de seis meses é importante porque é neste tempo que ocorre a maioria das reincidências", explicou Fernando José.

O descumprimento das metas afetará o percentual de repasse dos valores contratados pela instituição. "Precisamos investir nestes jovens, porque diminui a criminalidade e gera economia para o Estado. Se não são acompanhados, praticam novos crimes, voltam para a fundação ou vão para o sistema prisional, gerando custos bem maiores para o Estado", avaliou.

TRÁFICO DE PESSOAS

Outro programa desenvolvido pela secretaria de Justiça e Cidadania é o Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (NETP), responsável pela articulação junto às autoridades públicas contra o tráfico de pessoas. Bauru possui um núcleo do NETP.

O programa apoia vítimas estrangeiras e que não falam nosso idioma, encaminha para casas de acolhimento, auxilia na regularização documental ou retorno para seus países de origem, inclusive quando são brasileiros traficados para o exterior.

"Muitas vezes, as vítimas são pessoas hipossuficientes, até acreditam na oportunidade de emprego, acreditam em promessas mentirosas e acabam sendo exploradas", relatou o secretário.