09 de julho de 2026
Geral

Bauru é selecionada para receber coleiras a cães contra leishmaniose

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru foi um dos 133 municípios selecionados pelo Ministério da Saúde para receber coleiras impregnadas com inseticida deltametrina para serem usadas em cães, visando coibir a disseminação da leishmaniose visceral (LV). A cidade é o única do Estado de São Paulo a entrar na lista de localidades prioritárias para participar da ação, por ser considerada área endêmica para a doença, em razão dos indicadores epidemiológicos registrados nos últimos anos.

Em 2021, Bauru, inclusive, registra a morte de um morador por LV. Segundo a prefeitura, um plano de trabalho será enviado ao Ministério da Saúde e, se aprovado, o município poderá participar do programa, que terá duração de quatro anos.

A proposta é que os cães de áreas consideradas mais críticas recebam uma coleira com deltametrina, que ajuda a afastar o mosquito-palha, transmissor da leishmaniose.

3,2 MIL CACHORROS

Em Bauru, a ideia é iniciar a ação até o fim do ano, na região da Vila Ipiranga. A Secretaria Municipal de Saúde está mapeando o número de cães que vivem naquela região, mas a estimativa é de que sejam aproximadamente 3.200 animais.

Se a parceria for pactuada, a União fornecerá as coleiras e a prefeitura ficará responsável por disponibilizar agentes da Vigilância Epidemiológica para a distribuição dos itens casa a casa, que será acompanhada de trabalho educativo para sensibilizar a população sobre a importância da estratégia. As coleiras, que têm prazo de validade para uso, terão de ser trocadas a cada seis meses.

A adesão de Bauru à ação já recebeu a anuência do Conselho Municipal de Saúde. Ao todo, o Ministério da Saúde listou 133 municípios prioritários em 16 Estados, classificados com transmissão alta, intensa e muito intensa.

PIONEIRO

Ao todo, serão investidos mais de R$ 16 milhões na aquisição de cerca de 1 milhão de coleiras com deltametrina, tornando o Brasil o primeiro País no mundo a incorporar essa tecnologia como medida de saúde pública para o controle da leishmaniose.

Para Thaís Boonen Viotto Ferreira, do Conselho Municipal de Proteção de Defesa Animal (Comupda), há expectativa de que a ação seja o início do processo de incorporação do insumo como política do Sistema Único de Saúde (SUS). "É uma medida importante e uma esperança para mudança da política nacional de prevenção e controle da leishmaniose, que hoje privilegia a eutanásia de cães infectados para evitar a disseminação da doença e está ultrapassada", frisa.

A incorporação das coleiras, inclusive, já motivou a inclusão inédita de uma meta de redução de casos de LV em humanos no Plano Nacional de Saúde (2020-2023). A estratégia se baseia em evidências científicas, já que, em 2010, o Ministério da Saúde financiou um estudo que demonstrou que o risco de infecção de cães é cerca de 52% menor nas áreas onde são usadas as coleiras, na comparação com as áreas onde o dispositivo não foi utilizado.

ESTUDO

Vale destacar também que, conforme o JC noticiou, Bauru foi palco de um estudo inédito sobre a coleira. O trabalho, que começou em 2018, visou mostrar que o uso do material é mais eficaz no combate à doença do que a eutanásia dos cães infectados.

A pesquisa, de autoria de Luiz Ricardo Paes de Barroz Cortez, diretor do CCZ na época e atual médico-veterinário da prefeitura, analisou duas regiões da cidade: Isaura Pitta Garms e Núcleo Gasparini. No primeiro, houve a aplicação da coleira e, no segundo, foram feitas eutanásias.

Em abril de 2019, resultados preliminares já mostravam eficácia do encoleiramento.