08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Estiagem causa preocupação

Alessio Canonice - aalessio.canonice@bol.com.br
| Tempo de leitura: 3 min

Pelo menos de momento, o Brasil vive uma das maiores crises da sua história no que se refere à estiagem, onde globalizam os incêndios que há vários meses vem destruindo o Pantanal de Mato Grosso do Sul, além da estiagem que perdura com toda a intensidade, tornam-se um desafio ao estado, visando fórmulas mais eficientes de combate às queimas incessantes naquela unidade da Federação.

É evidente que, em meio à mais severa seca das últimas décadas, os cursos d'água estão secando a cada dia que se sucede, enquanto nuvens de fumaça que se verificam através das imagens da televisão, percebe-se com muita nitidez que esse impasse encobre toda a paisagem verde, mesmo com a eficiência dos aviões e dos voluntários na tentativa de sufocar os incêndios dos mais devastadores.

O verde, em certas regiões, deixou de ser verde por conta das queimadas, incorporando-se à própria estiagem; esta, por sinal, não permite maior complexidade de água, fazendo com que os rios deixem de se abastecer de uma forma abundante em benefício, principalmente das usinas hidrelétricas de todo o país, evitando dessa forma o custo elevado das faturas de energia elétrica, uma provável iniciativa que poderá se tornar realidade.

Na sequência dessas observações iniciais, Corumbá (MS), amanheceu dias atrás com a cidade encoberta por névoas e fuligens, tanto é que, em alguns pontos o Rio Paraguai chegou a ficar invisível à distância, um fato inédito e que somente a presença das chuvas poderá dar maior alento e normalização da situação em que se encontra nosso país.

Os incêndios também ameaçam importantes regiões, entre elas, o Parque Estadual Nascentes do Rio Taquari, tanto é que desde o início da semana, alguns bombeiros e voluntários se dedicam de corpo e alma para conter as chamas que, nos últimos dias, tinham destruído cerca de 8,9 mil hectares de vegetação típica do local, portanto, um desafio, além de tantos outros que envolvem a destruição das nossas matas virgens.

Referidos incêndios influenciam nos sítios arqueológicos, onde atingem diretamente o Taquari, tanto é que desde o início da semana passada alguns bombeiros e voluntários tentam conter as chamas que, até nos últimos dias, tinham destruído vasta extensão de vegetação tanto no Pantanal como em outras regiões, o governo investiu muito em equipamentos do corpo de bombeiros, fazendo com que outras organizações se juntem a essa iniciativa, já que a soma de esforços contribui para que a situação presente tome novas dimensões de segurança contra as queimas, muitas delas até criminosas, infelizmente.

Há de se ressaltar com exclusividade que os incêndios causam preocupação aos fazendeiros, donos de propriedades e criadores de rebanho, muitos achando que o incêndio aconteceu de forma natural, pois o tempo seco provoca a combustão, além de causar prejuízo à nossa agricultura e pecuária. Sem ter o que comer, os bovinos não suportarão e vão desaparecendo aos poucos sem a devida pastagem.

Outros defendem a tese de que se torna inviável apagar o fogo e muito menos enfrentar a força dos ventos. Em casos de incêndio, é preciso acionar a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros, já que estão aptos e aparelhados para essa árdua tarefa com os procedimentos corretos. Outro detalhe a ser abordado é o fato de que restos de cigarros atirados em direção à mata seca provocam incêndios de grandes proporções.

A estiagem nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a mais severa já registrada nas últimas seis décadas, foi aprovada por pesquisadores, representantes do governo e da agropecuária como potencial e que facilita a propagação de incêndio no Pantanal.

Tal fato acima descrito, e de acordo com as autoridades que participaram da audiência pública da comissão temporária do senado e que acompanha as ações de enfrentamento às queimadas na região ocorrida dias atrás, é preciso unidade entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil para pôr em prática meios para minimizar os efeitos da seca no Pantanal, uma das riquezas autênticas e que muito orgulha a todos nós.

Eis, portanto, o quadro em que se encontra a estiagem da atualidade.