Araçatuba - Dois integrantes da facção criminosa paulista, presos em operação da Polícia Federal na fronteira do Brasil com o Paraguai, são suspeitos de terem participado dos ataques a bancos em Araçatuba. Anderson Meneses de Paula, o "Tuca", e William Meira do Nascimento, o "Bruxo", foram presos no domingo (3), em operação conjunta da Polícia Federal e de agentes paraguaios, em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, e na vizinha Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Segundo a PF, "Bruxo" seria do núcleo de comando da facção paulista e estaria vinculado aos grandes assaltos e ações conhecidas como "novo cangaço".
Já conforme a polícia paraguaia, "Tuca" seria o principal chefe do grupo conhecido como "Justiceiros da Fronteira", responsável por ao menos 20 execuções nos últimos meses.
A operação, denominada "Escritório do Crime", foi deflagrada pela PF em conjunto com a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), do Paraguai. Os agentes cumpriram oito mandados de busca e apreensão em imóveis de Ponta Porã, três em Pedro Juan Caballero, além de quatro mandados de prisão. Conforme a Senad, "Tuca" e "Bruxo" estavam envolvidos em roubos a bancos e tinham se especializado no uso de explosivos, gozando da confiança do alto comando do PCC. "No país vizinho (Brasil), se atribui a eles a tomada de uma cidade inteira (Araçatuba) para a execução de roubos a bancos", disse, em nota.
A suspeita é de que os dois criminosos cuidaram do planejamento do mega-ataque aos bancos de Araçatuba com explosivos e preparam os artefatos que foram espalhados pela região central para dificultar a ação da polícia. Conforme a linha de investigação da PF, eles também atuavam como traficantes de armas e podem ter disponibilizado armamento que foi empregado pela quadrilha no assalto.
As ações foram realizadas de forma simultânea, pois os criminosos se movimentam permanentemente entre as duas cidades fronteiriças. Os presos foram levados para Ponta Porã e tiveram as prisões confirmadas em audiência de custódia. Em nota, a PF informou que a operação resultou também na apreensão de "diversos bens e valores, bem como munições de grosso calibre". Os investigados podem responder pelos crimes de tráfico internacional de drogas, organização criminosa e tráfico internacional de armas, cujas penas podem ultrapassar 30 anos.