Preocupados com os crimes na área rural, um grupo de pecuaristas de Bauru e região decidiu criar uma comissão para acompanhar o andamento das investigações sobre roubos e furtos de gado e buscar orientações e diálogo junto às autoridades de segurança pública. O alerta cresceu após roubo de cerca de 350 cabeças de gado de uma fazenda de Itatinga (120 quilômetros de Bauru), no começo do mês passado (leia mais abaixo), conforme noticiou o JC.
A comissão, composta por cinco integrantes do Grupo Pecuária Brasil (GPB), associação representativa da classe, deve encaminhar nos próximos dez dias um ofício à Delegacia Seccional de Botucatu, responsável pelo inquérito de Itatinga, solicitando uma reunião. Lourenço Talamonte Netto, delegado seccional de Botucatu, já sinalizou estar aberto a conversar com os produtores rurais (leia mais abaixo).
A criação da comissão foi definida durante uma reunião do GPB nesta terça-feira (5), em Bauru. Na ocasião, o grupo também aventou a possibilidade de solicitar um encontro com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), a fim de fortalecer o diálogo com as autoridades.
De acordo com a presidência do GPB, a percepção é de que os roubos e furtos de gado têm se tornado mais frequentes na região nos últimos anos. Com isso, surgiu a necessidade de encontrar caminhos e soluções. Nesse sentido, o grupo frisa estar à disposição das autoridades para auxiliar no trabalho, não apenas cobrando, mas também contribuindo com ações que visem diminuir esse tipo de crime, encontrar os culpados e dar a tranquilidade que a zona rural necessita.
Apesar de representar a pecuária, o GPB lembra ainda que os crimes não se limitam ao gado, uma vez que são levados também máquinas, tratores, defensivos agrícolas e adubos. E, recentemente, têm sido furtados cabos de eletrificação para retirada do cobre e redes de pivô, resultando em prejuízos enormes aos produtores.
VIGILÂNCIA
Uma das medidas amplamente discutida pelos pecuaristas foi a implantação de câmeras de monitoramento nas propriedades. "Não dá mais para criar gado como antigamente. Você tem que acompanhar diariamente. É um investimento alto [em câmeras], mas que perto da perda de uma ou duas cabeças de gado acaba saindo mais barato", afirma Bilac de Almeida Bianco Neto, pecuarista de Duartina (45 quilômetros de Bauru).
Ele, inclusive, disse que pretende implantar o monitoramento na propriedade o mais rápido possível para melhorar a segurança.