09 de julho de 2026
Nacional

Indústria recua 0,7% em agosto

Estadão Conteúdo
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Brasília - Em meio a problemas de oferta e de demanda, a indústria brasileira amargou em agosto o terceiro mês seguido de perdas. A produção recuou 0,7% em relação a julho, segundo a Pesquisa Industrial Mensal divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi pior do que o estimado por analistas do mercado financeiro, que esperavam um recuo mediano de 0,4%. Dos oito primeiros meses de 2021, a indústria cresceu em apenas dois deles: janeiro e maio.

Na passagem de julho para agosto, houve perdas em 15 das 26 atividades investigadas pela pesquisa do IBGE, com destaque para os segmentos de outros produtos químicos, derivados do petróleo, veículos e farmacêuticos. Apenas sete atividades industriais se mantêm operando em patamar superior ao do pré-pandemia. "Os obstáculos são de diferentes ordens: do lado da oferta, ainda há gargalos na obtenção de insumos e pressão de custos; do lado da demanda, a inflação corrói poder de compra da população em um quadro de elevado desemprego. Além disso, o ambiente de incerteza se mantém, renovando suas causas sob os riscos da crise hídrica e da tensão política", enumerou o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

A gestora de recursos XP Investimentos prevê nova retração na produção industrial em setembro, de 0,5%, embora ainda aguarde informações para fechar essa estimativa. Já o economista-sênior do Banco ABC Brasil, Daniel Xavier, a queda de agosto seguiu a dinâmica esperada de impactos na fabricação de automóveis e eletrodomésticos devido à escassez de insumos.

Com o desempenho negativo de agosto, a indústria opera atualmente em patamar 2,9% inferior ao de fevereiro de 2020, no pré-pandemia. Quando ainda crescia, em janeiro, a indústria alcançou um saldo positivo de 3,5% em relação ao pré-Covid.

O setor industrial já acumula uma perda de 6,2% de fevereiro a agosto de 2021. Segundo Macedo, a interrupção no pagamento do auxílio emergencial e seu posterior retorno, mas com valor menor, ajudam a explicar essa perda de fôlego.